O Brasil começou a preparar suas tropas com um novo mapeamento dos riscos e ameaças à defesa nacional que deve ficar pronto em breve. Em meio a um cenário global cada vez mais conturbado, o país deu início a um movimento de prevenção em caso de guerra.
Aprovada sem alarde, a portaria assinada pelo comandante Tomás Paiva indica a política de transformação da força terrestre que se prepara para os conflitos contemporâneos e para as guerras do futuro. O documento aponta para alterações no desenho institucional, nas capacidades, na doutrina e na formação dos militares.
Segundo o texto, o panorama geopolítico mundial coloca em cena uma “tendência consistente” de ampliação dos investimentos em defesa. Diante disso, é “imperativo” ao Brasil acompanhar esse movimento. Recentemente, países da Otan oficializaram o compromisso de elevar em até 5% do PIB seus investimentos em defesa.

Números do FMI (Fundo Monetário Internacional) apontam que mais de 30 países tiveram conflitos em seus territórios em 2024, contemplando 45% da população global. Pegando o recorte da última década e meia, cerca de 1,9 milhão de vidas foram ceifadas.
O Brasil, por sua vez, gastou por volta de R$ 30 bilhões em seis anos para modernizar suas forças armadas. Embora possa parecer uma verba muito elevada, na verdade ela é ínfima perto das necessidades de reaparelhamento que se apresentam.
Não basta ter dinheiro
De acordo com o documento do Exército, o valor gasto ainda é insuficiente e a questão não passa só pelo dinheiro: “A atual demanda global por materiais de emprego militar supera a capacidade produtiva existente”.
O Exército tem se deparado com dificuldades para renovar o estoque de munições no mercado internacional diante da demanda atual. O que não deixa de ser uma preocupação, uma vez que os conflitos contemporâneos estão sendo marcados pela “aceleração exponencial da inovação tecnológica”.
Outros dois pontos destacados pelo relatório são o subcontinente sul-americano e seus recursos naturais visados por potências estrangeiras, e a expansão do crime organizado transnacional, que impõe desafios à soberania e à governança na região.





