A cidade mais barulhenta do Brasil e também uma das mais caóticas do planeta voltou a chamar atenção em rankings internacionais ligados à qualidade de vida. A região apareceu entre as cidades mais estressantes do mundo e ainda ficou entre os locais com maior poluição sonora.
A combinação entre trânsito intenso, excesso de veículos e concentração populacional ajuda a explicar o cenário vivido diariamente pelos moradores. Justamente por isso, a rotina na maior cidade do país segue sendo apontada como uma das mais desgastantes do planeta.
Segundo levantamento da plataforma Preply, São Paulo ocupa a sétima posição entre as cidades mais barulhentas do mundo. A capital brasileira aparece atrás apenas de Paris, Nova York, Hong Kong, Londres, Los Angeles e Barcelona no ranking internacional.
Reclamações por barulho cresceram em 2026
Dados do Programa Silêncio Urbano, conhecido como Psiu, mostram crescimento de 18% nas denúncias registradas no primeiro trimestre de 2026. O levantamento foi feito em comparação com o mesmo período do ano passado.
O problema vai além do desconforto provocado pelo excesso de ruído nas ruas. A Organização Mundial da Saúde classifica a poluição sonora como a segunda principal causa ambiental de adoecimento da população. Em São Paulo, o nível médio de barulho chega a 70 decibéis, enquanto órgãos de saúde indicam 55 decibéis como limite adequado para o bem-estar humano.
O médico Gonzalo Vecina afirma que a exposição contínua ao som elevado funciona como um agente estressor para a saúde física e mental. Segundo ele, os impactos ultrapassam os danos auditivos imediatos e podem atingir diferentes áreas da saúde da população.
Além da hipertensão, o excesso de ruído prejudica a qualidade do sono e aumenta os riscos de doenças cardiovasculares. Situações comuns da rotina urbana acabam contribuindo para o desgaste físico e emocional dos habitantes.
Capital paulista aparece entre as mais estressantes
São Paulo apareceu na oitava colocação do ranking global e foi a única representante brasileira presente no Top 10. A liderança da lista ficou com Nova York, enquanto Dublin apareceu logo na segunda posição entre as cidades consideradas mais desgastantes.
O estudo avaliou fatores como tempo médio de deslocamento, custo de vida, acesso à saúde, criminalidade e níveis de poluição. Cada cidade recebeu notas de zero a dez. A capital paulista recebeu nota 7,14 e teve destaque negativo principalmente nos índices ligados à segurança pública. Ainda assim, apresentou desempenho melhor em custo de vida e tempo médio de deslocamento.
Segundo o levantamento, o tempo necessário para percorrer dez quilômetros na cidade é de 26,7 minutos. Mesmo assim, congestionamentos e sensação de insegurança continuam pesando na qualidade de vida dos moradores.

Especialistas defendem fiscalização mais rígida
Para Gonzalo Vecina, apenas campanhas de conscientização não são suficientes para reduzir os impactos provocados pela poluição sonora. O especialista defende justamente a criação de regras mais rígidas para controlar os níveis de ruído em diferentes regiões da cidade.
Ele afirma que a construção de uma cidade mais silenciosa depende da definição de limites claros para atividades barulhentas. Além disso, o médico destaca a necessidade de ampliar a aplicação das leis já existentes. O endurecimento das multas para quem ultrapassa os limites de decibéis previstos na legislação municipal aparece como uma das medidas defendidas.
Enquanto isso, São Paulo segue acumulando posições negativas em rankings internacionais ligados ao estresse urbano e à qualidade de vida. O tamanho da cidade, aliado ao excesso de barulho e aos desafios estruturais, mantém a capital entre as metrópoles mais caóticas do mundo.





