Cientistas que estudam Marte identificaram um possível mineral inédito em depósitos antigos de sulfato. A pesquisa, publicada na Nature Communications, aponta a presença de um sulfato de ferro chamado hidroxissulfato férrico. Ele foi encontrado em regiões próximas ao Valles Marineris, um dos maiores sistemas de cânions do sistema solar.
Segundo os pesquisadores, esse mineral pode ter se formado quando depósitos ricos em sulfato, originados de antigas águas, foram aquecidos por atividade vulcânica ou geotérmica. Esse processo alterou a composição química dos materiais ao longo do tempo.
O estudo foi liderado por Janice Bishop, do SETI Institute e da NASA Ames Research Center. A equipe combinou experimentos de laboratório com dados orbitais para entender a origem e as características do mineral. A descoberta ajuda a esclarecer como calor, água e reações químicas moldaram a superfície marciana.
Características e implicações da descoberta
O hidroxissulfato férrico contém ferro, elemento abundante em Marte. Diferente da Terra, onde sulfatos se dissolvem facilmente, o ambiente seco marciano permite que esses minerais sejam preservados por bilhões de anos. Isso faz deles importantes registros das condições ambientais antigas do planeta.
Os cientistas analisaram dados de sondas em órbita e identificaram sinais espectrais incomuns em camadas de sulfato observadas há décadas. O estudo focou em regiões como Aram Chaos e áreas próximas ao Juventae Chasma, onde há evidências de água no passado.
Experimentos mostraram que sulfatos aquecidos a cerca de 50 °C sofrem alterações, e acima de 100 °C podem formar o novo mineral. Isso indica que o calor teve papel importante após a deposição original.
Essas evidências sugerem que Marte permaneceu ativo, química e termicamente, por mais tempo do que se imaginava, o que pode ter implicações na busca por condições favoráveis à vida no passado.





