Muitas pessoas atribuem os atrasos na aposentadoria apenas à burocracia do INSS. No entanto, em diversos casos, o problema começa com falhas cometidas pelas próprias empresas ao longo do vínculo empregatício — erros que, muitas vezes, só são descobertos no momento de solicitar o benefício.
Quando o Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS), documento que reúne todo o histórico profissional e previdenciário do trabalhador, apresenta inconsistências, o pedido de aposentadoria pode cair em exigência ou até ser negado inicialmente.

Confira alguns dos principais erros empresariais que podem comprometer
1. Vínculo de emprego não registrado no CNIS
Esse é um dos problemas mais frequentes. A empresa registra o trabalhador na Carteira de Trabalho e desconta mensalmente a contribuição previdenciária, mas deixa de repassar as informações ou os recolhimentos ao governo.
Consequência: Para o INSS, aquele período de trabalho simplesmente não existe. Com isso, o segurado pode não atingir o tempo mínimo necessário para se aposentar.
2. Falta de data de desligamento
Em alguns casos, a empresa encerra o vínculo na carteira física ou digital, mas não atualiza corretamente os sistemas da Receita Federal e do INSS, como o eSocial.
Consequência: O emprego aparece no CNIS sem data de saída ou com pendências. Isso pode levar o INSS a desconsiderar o período até que o trabalhador apresente documentos comprovando o término do vínculo.
3. Salários informados de forma incorreta
Erros no envio da folha de pagamento também são comuns. Algumas empresas registram remunerações inferiores às efetivamente recebidas ou deixam meses sem qualquer informação salarial.
Consequência: Embora o tempo de serviço seja contabilizado, o valor da aposentadoria pode ser reduzido, já que o benefício é calculado com base na média das contribuições.
4. Problemas no preenchimento do PPP
Profissionais expostos a agentes nocivos, como ruído excessivo, calor ou produtos químicos, precisam do Perfil Profissiográfico Previdenciário (PPP) para comprovar o direito ao tempo especial.
Consequência: Informações incompletas, códigos incorretos ou demora na entrega do documento podem impedir o reconhecimento desse período e prejudicar o acesso à aposentadoria especial ou à conversão do tempo.
5. Empresas que encerram as atividades com pendências
Quando uma empresa fecha as portas sem regularizar as informações previdenciárias dos funcionários, é comum que fiquem registros incompletos ou inconsistentes.
Consequência: Corrigir essas falhas se torna mais difícil, já que o trabalhador precisa buscar documentos antigos para comprovar o vínculo e solicitar a atualização do cadastro.
Como evitar problemas futuros?
Especialistas recomendam que o trabalhador acompanhe regularmente seu histórico previdenciário e não espere chegar o momento da aposentadoria para verificar possíveis inconsistências.
Algumas medidas podem ajudar:
- Consultar periodicamente o extrato do CNIS no aplicativo ou site do Meu INSS;
- Conferir se as informações do cadastro coincidem com a Carteira de Trabalho e os holerites;
- Guardar documentos importantes, como contracheques, rescisões, contratos de trabalho e extratos do FGTS.
Caso sejam identificados erros, o segurado pode solicitar a correção das informações por meio do chamado Acerto de CNIS, evitando transtornos e reduzindo as chances de atrasos no pedido de aposentadoria.





