A Europa acelerou nos últimos anos projetos voltados à independência tecnológica em áreas consideradas estratégicas. Entre elas está a navegação por satélite, usada diariamente em celulares, transportes, serviços públicos e operações financeiras.
Nesse cenário, a Europa decidiu reduzir a dependência do GPS dos Estados Unidos com a expansão do Galileo, sistema civil de navegação por satélite criado pela União Europeia. Atualmente, o Galileo opera com 29 satélites ativos em órbita a 23.222 quilômetros da Terra.
O sistema oferece precisão de aproximadamente um metro em acesso aberto e pode alcançar nível centimétrico em atividades profissionais, como agricultura de precisão e construção civil. Para a Comissão Europeia, o programa representa uma etapa estratégica na busca por autonomia tecnológica e espacial dentro do continente.
Em dezembro de 2025, a missão SAT 33 e SAT 34 foi lançada pela Ariane 6 a partir de Kourou. O lançamento marcou a retomada do uso de um foguete europeu no programa Galileo depois de duas operações realizadas pela SpaceX em 2024. Outros quatro satélites devem completar a primeira geração da constelação nos próximos meses.
Nova camada de proteção
Além da expansão da constelação principal, a Europa iniciou testes com a missão Celeste, formada por micro satélites em órbita baixa a 510 quilômetros da Terra. O objetivo é fortalecer os sinais de navegação em locais onde há interferência, dificuldades de recepção ou risco de bloqueio.
Em abril de 2026, a Agência Espacial Europeia captou o primeiro sinal europeu de navegação transmitido em órbita baixa nas bandas L e S. A previsão é adicionar mais oito satélites ao sistema a partir de 2027. O projeto surgiu em meio a episódios de interferência registrados no mar Báltico, onde autoridades suecas identificaram falhas e falsos sinais de GPS durante 2025.
Entre 2003 e 2027, a União Europeia terá investido mais de 19 bilhões de euros no Galileo. O objetivo é reduzir riscos ligados à dependência de sistemas estrangeiros em setores como transporte, energia, mercado financeiro e serviços de emergência, áreas que dependem diretamente de sinais de posicionamento para funcionar.





