Uma nova determinação da FIFA passou a prever cartão vermelho para jogadores que colocarem a camisa na boca ao falar durante confrontos em campo. A medida foi aprovada de forma unânime e tem como foco combater atitudes consideradas inadequadas, especialmente em situações de tensão entre atletas, algo que vinha gerando preocupação.
A decisão foi tomada em conjunto com a International Football Association Board, conhecida como IFAB, durante reunião realizada em Vancouver, no Canadá. Justamente nesse encontro, outras mudanças importantes também foram discutidas e aprovadas, ampliando o pacote de novas regras que devem impactar diretamente o comportamento dentro das partidas.
Novas punições e endurecimento das regras
Além da punição para quem cobrir a boca ao falar, a entidade também definiu expulsão para jogadores que abandonarem o campo em forma de protesto. No entanto, essa regra não se limita apenas aos atletas, já que membros de comissões técnicas também poderão ser punidos caso adotem a mesma postura durante uma partida oficial.
A situação se torna ainda mais rigorosa quando o abandono ocorre de forma coletiva, pois nesses casos a equipe pode ser derrotada por WO. Até mesmo protestos organizados passam a ser vistos com mais severidade, indicando que a FIFA busca reduzir ao máximo qualquer tipo de interrupção ou descontrole dentro dos jogos.
As 48 seleções que disputarão a Copa do Mundo de 2026 serão informadas oficialmente sobre essas mudanças. Justamente por envolver um torneio global, a entidade quer garantir que todas as equipes estejam alinhadas com as novas diretrizes antes do início da competição.
Casos recentes influenciaram decisões
Alguns episódios recentes ajudaram a acelerar essas mudanças, principalmente situações envolvendo acusações graves dentro de campo. No início de 2026, Vini Jr. e Kylian Mbappé acusaram Prestianni, do Benfica, de racismo após um confronto durante partida.
Segundo os relatos, o jogador argentino teria coberto a boca enquanto proferia ofensas, incluindo insultos direcionados ao brasileiro. Mbappé afirmou que Prestianni repetiu ataques racistas diversas vezes, o que gerou forte repercussão e resultou em punição de seis jogos de suspensão ao atleta envolvido.
Outro caso citado envolve a seleção de Senegal, que chegou a abandonar o campo durante a final da Copa Africana de Nações. No entanto, após intervenção de Sadio Mané, a equipe retornou e venceu a partida na prorrogação por 1 a 0, mas acabou perdendo o título posteriormente por decisão jurídica.

Outras mudanças também entram em pauta
Durante a mesma reunião, a FIFA também discutiu uma proposta que pode mudar a formação das equipes no futuro. A ideia prevê que clubes profissionais sejam obrigados a manter pelo menos um jogador formado nas categorias de base em campo durante as partidas, incentivando o desenvolvimento interno de talentos.
O texto sugere que esse atleta seja das categorias sub-20 ou sub-21 e tenha sido formado pelo próprio clube. No entanto, a medida ainda está em estágio inicial e passará por nova avaliação em 2027, durante o 77º Congresso da FIFA, indicando que ainda pode sofrer ajustes antes de uma possível implementação.
Segundo informações divulgadas, houve alinhamento inicial entre representantes das seis confederações continentais, o que reforça a possibilidade de avanço da proposta. Além disso, a entidade destacou que a iniciativa busca fortalecer a integração entre base e elenco principal, algo considerado estratégico para o futuro do futebol.
A reunião também abordou temas políticos internos, incluindo o calendário eleitoral entre 2027 e 2031. O atual presidente Gianni Infantino, no cargo desde 2016, deve concorrer a um novo mandato, contando inclusive com apoio já declarado da Conmebol, o que mostra que mudanças estruturais seguem em discussão.





