Durante o auge do Grupo EBX, a política de remuneração adotada para executivos de alto escalão chamou atenção pelo volume de recursos envolvidos. Em um período marcado por forte valorização das empresas do conglomerado, diretores e gestores estratégicos chegaram a receber bônus de fim de ano que ultrapassavam 100 milhões de dólares.
Os pagamentos estavam vinculados a metas ambiciosas e à valorização dos ativos no mercado financeiro, em um contexto de grande confiança por parte de investidores. Em 2010, a OGX atingiu seu pico de valorização, com ações negociadas a R$ 23,27. Naquele momento, Eike Batista figurava entre os homens mais ricos do mundo, com patrimônio estimado em mais de US$ 30 bilhões.

Política de incentivos e ganhos milionários
Levantamentos divulgados por veículos especializados indicaram que ao menos nove executivos deixaram o grupo com ganhos individuais acima de 100 milhões de dólares. Alguns teriam acumulado valores ainda maiores, superando R$ 200 milhões, somando bônus, salários e outros incentivos financeiros.
Há registros, ainda, de cinco executivos que teriam transferido cerca de 500 milhões de dólares para contas pessoais durante o período de maior prosperidade do conglomerado. O modelo de incentivos priorizava resultados projetados, especialmente em setores como petróleo, mineração e logística.
A captação de recursos no mercado e a valorização das ações eram critérios relevantes para a liberação dos bônus, mesmo antes da consolidação operacional dos projetos. Com o tempo, esse formato passou a ser questionado, à medida que os resultados prometidos não se confirmaram.
A crise se consolidou em 2013, quando a OGX entrou em concordata, registrando a maior recuperação judicial da história do país. As ações despencaram para R$ 0,13, afetando cerca de 52 mil acionistas e diversas instituições financeiras.





