Uma medida aguardada por milhares de profissionais ganhou novos contornos recentemente, trazendo expectativas e até mesmo dúvidas sobre valores e critérios. No entanto, o anúncio envolve um volume expressivo de recursos e promete impactar diretamente a rotina de quem atua na rede pública de ensino.
O Governo de São Paulo confirmou o pagamento de quase R$ 1 bilhão em bônus para profissionais da educação estadual, contemplando mais de 188 mil servidores. O valor, previsto para ser liberado até o fim de abril, representa justamente o dobro do que foi pago em 2025, quando o total chegou a R$ 544 milhões.
Pagamento histórico e ampliação do benefício
O montante anunciado é considerado o maior bônus da última década, refletindo o desempenho dos profissionais no Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp). Até mesmo regiões específicas, como a Baixada Santista, terão repasses relevantes, somando R$ 23,4 milhões para 5.106 profissionais que atingiram as metas.
A primeira parcela leva em conta exclusivamente os resultados obtidos no Saresp e inclui professores de todas as disciplinas, além de gestores e equipes de apoio. No entanto, o modelo deste ano traz uma novidade importante, já que o pagamento será dividido em duas etapas, ampliando as possibilidades de bonificação.
Segundo o secretário da Educação, Renato Feder, a estratégia busca reconhecer o esforço contínuo dos profissionais da rede. Ele destaca que os resultados positivos consolidam a recuperação da aprendizagem após o período da pandemia, reforçando a política de valorização baseada em desempenho.

Segunda parcela e novos critérios
A segunda parte do bônus está prevista para setembro e será calculada com base nos resultados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB) 2025. Nesse caso, o benefício será direcionado a professores de língua portuguesa e matemática dos anos avaliados, além das equipes gestoras que cumprirem as metas estabelecidas pela Secretaria da Educação.
As médias da rede estadual devem ser divulgadas em agosto pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP). Justamente por isso, a expectativa do governo é que o valor total ultrapasse ainda mais o patamar atual, podendo superar a marca de R$ 1 bilhão ao final do ciclo completo.
Outro destaque é o aumento no número de beneficiados, que cresceu 18% em relação ao ano anterior. Ao todo, 158.729 profissionais do magistério estão incluídos, com um valor médio estimado em R$ 5.066,89 por servidor, o que reforça o alcance da medida.

Cálculo do bônus
O cálculo do bônus leva em consideração diversos fatores ligados ao desempenho escolar, incluindo as notas dos alunos no Saresp, a evolução da aprendizagem, a frequência e a participação nas avaliações. Além disso, as metas estabelecidas para cada unidade de ensino servem como base para definir o valor a ser recebido.
Para professores de disciplinas avaliadas, o valor é proporcional à carga horária, o que pode gerar variações entre os profissionais. Já aqueles que atuam em mais de uma escola ou em diferentes disciplinas têm o benefício calculado por meio de uma ponderação entre metas escolares e de conteúdo.
Até mesmo docentes de áreas não avaliadas diretamente, como Educação Física e disciplinas eletivas, além de gestores e equipes de apoio, entram na composição do bônus com base no desempenho geral das escolas. Esse modelo busca garantir uma distribuição mais ampla e equilibrada dos recursos.
Entre as unidades de ensino, 3.760 alcançaram a chamada meta “ouro” no Saresp, enquanto o nível “diamante” exige também desempenho elevado no Saeb. Nesse caso, o atingimento duplo pode garantir até dois salários extras aos profissionais, ampliando ainda mais o impacto da política educacional.





