O Japão está acelerando a modernização de suas Forças de Autodefesa diante do avanço militar da China, da Rússia e das ameaças da Coreia do Norte. O novo plano também associa os investimentos em defesa ao desenvolvimento econômico. A estratégia prevê maior uso de tecnologia.
Gastos militares ganham espaço
O país elevou os recursos destinados à defesa para o equivalente a 2% do Produto Interno Bruto. Para financiar a expansão, o Governo japonês combina aumento de impostos, mudanças nas despesas públicas e receitas extraordinárias. A medida representa uma das maiores ampliações militares desde o pós-guerra.
A proposta aparece em um momento de forte pressão sobre o orçamento nacional. O Japão aprovou um orçamento de 122,3 trilhões de ienes para o ano fiscal até março de 2027. Depois, acrescentou outros 3,1 trilhões de ienes em medidas para ajudar famílias e empresas com os custos de energia.
Apesar do crescimento dos investimentos, ainda existe uma disputa sobre como financiar novos projetos militares. A primeira-ministra Sanae Takaichi não apresentou uma definição sobre como bancar futuras ampliações. O cenário preocupa diante das dificuldades das contas públicas japonesas.

China aparece como principal desafio
O Livro Branco de Defesa classifica as atividades militares chinesas como o maior desafio estratégico enfrentado pelo Japão. A possibilidade de um conflito envolvendo Taiwan preocupa Tóquio. Um confronto na região poderia também envolver diretamente o território japonês.
A tensão aumentou após declarações de Takaichi sobre uma possível mobilização das Forças de Autodefesa caso uma ofensiva chinesa contra Taiwan ameaçasse a sobrevivência do Japão. Pequim criticou duramente a posição. O Governo chinês chegou a exigir a retirada da declaração.
Além da preocupação estratégica, o novo plano aposta em tecnologias consideradas essenciais para os conflitos atuais. Parte dos recursos já foi direcionada a mísseis com alcance superior a 1.000 quilômetros. Drones e outros equipamentos não tripulados também devem receber mais investimentos.









