O Brasil recebeu uma sinalização positiva da ONU em meio a discussões internacionais sobre preservação ambiental e políticas humanitárias. O reconhecimento aconteceu durante eventos realizados pela organização nesta semana, justamente em um momento de preocupação global com perdas florestais e desafios ligados à migração.
Segundo um novo relatório divulgado pela ONU, o Brasil apareceu entre os países que conseguiram ampliar o manejo sustentável de florestas nos últimos anos. O documento destacou o avanço das concessões federais, o crescimento das áreas administradas com planos de longo prazo e o fortalecimento de ações voltadas à preservação ambiental.
Brasil amplia manejo sustentável
O estudo apresentado durante o Fórum sobre Florestas, realizado na sede da ONU, apontou que a área florestal global perdeu mais de 40 milhões de hectares entre 2015 e 2025. No entanto, o Brasil seguiu caminho contrário e ampliou iniciativas de proteção e uso racional das áreas verdes.
O relatório destacou que o país ocupa a segunda posição entre as nações com maior quantidade de florestas no mundo. Além disso, o Brasil concentra aproximadamente 12% das áreas verdes do planeta, algo que reforça o peso ambiental brasileiro nas discussões internacionais.
Entre 2020 e 2025, as áreas de florestas sob concessões federais passaram de 1,05 milhão para 1,59 milhão de hectares. Ao mesmo tempo, cresceu a quantidade de territórios administrados por meio de planos de manejo sustentável de longo prazo.
Esse avanço permitiu a produção de mais de 2,15 milhões de metros cúbicos de madeira com origem garantida e rastreabilidade completa. As operações também renderam mais de US$ 41,6 milhões, valor equivalente a cerca de R$ 217 milhões em receitas.
A iniciativa foi conduzida pelo Serviço Florestal Brasileiro em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. O foco das ações é preservar a biodiversidade, garantir o uso racional dos recursos naturais e beneficiar comunidades locais.
Fundo brasileiro ganha destaque
O relatório da ONU ainda mencionou o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, conhecido como TFF, lançado pelo Brasil em torno da COP30. A proposta pretende captar US$ 125 bilhões junto a fundos soberanos e investidores institucionais.
Segundo o documento, a iniciativa busca criar um financiamento previsível e duradouro para ações ambientais. Caso seja totalmente capitalizado, o fundo poderá apoiar a proteção de mais de 1 bilhão de hectares de florestas tropicais em mais de 70 países em desenvolvimento.
A ONU também destacou que mecanismos inovadores de financiamento e cooperação entre diferentes setores serão essenciais diante das ameaças enfrentadas pelas florestas. Entre elas aparecem incêndios, mudanças climáticas, pragas, atividades ilegais e pressões sobre o uso da terra.

Brasil reforça debate sobre migração
Além das questões ambientais, o Brasil voltou a participar do debate internacional sobre políticas públicas de migração durante o II Fórum Internacional de Revisão das Migrações, realizado em Nova York entre os dias 5 e 8 de maio.
O encontro reuniu representantes dos ministérios da Justiça e Segurança Pública, das Relações Exteriores e dos Direitos Humanos e da Cidadania. O fórum ocorre a cada quatro anos na sede da ONU e é considerado o principal espaço internacional de discussão sobre políticas migratórias.
Durante os debates, a secretária nacional de Justiça, Maria Rosa Loula, afirmou que o Brasil tem mostrado ser possível conciliar acolhimento e responsabilidade. Ela destacou iniciativas ligadas ao acesso à saúde, trabalho e proteção para migrantes.
O diretor do Departamento de Migrações, Victor Semple, também participou das discussões promovidas pela Secretaria Nacional de Justiça. O Brasil ainda apresentou 11 compromissos voltados ao fortalecimento das políticas de proteção para migrantes, refugiados e apátridas.





