Com menos de 3 milhões de habitantes, a Lituânia passou a disputar ativamente trabalhadores brasileiros qualificados para sustentar o crescimento acelerado do seu setor de tecnologia. Ex-república soviética, o país báltico se transformou, ao longo da última década e meia, em um dos polos de startups mais dinâmicos da Europa, seguindo trajetória semelhante à da vizinha Estônia.
Tecnologia vira motor da economia lituana
Hoje, a tecnologia da informação responde por cerca de 18% de todo o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) da Lituânia, percentual quase três vezes maior do que o observado no Brasil. O ecossistema local de startups já é avaliado em aproximadamente 16 bilhões de euros e reúne mais de mil empresas ativas, incluindo cinco unicórnios, como a plataforma de revenda Vinted, a Nord Security e a Cast AI.
Apesar do avanço expressivo, o país enfrenta um limite estrutural: a escassez de trabalhadores. A força de trabalho lituana soma cerca de 1,3 milhão de pessoas, e o sistema educacional não consegue formar profissionais no ritmo exigido pelas empresas de tecnologia. Diante desse cenário, o governo concluiu que importar talentos se tornou essencial para manter a expansão econômica.
Brasil entra no radar do governo da Lituânia
O Brasil foi incluído entre os mercados prioritários de recrutamento por reunir grande volume de profissionais de tecnologia, experiência em empresas globais e interesse em salários pagos em euro. Além disso, estudos conduzidos por programas oficiais indicam que fatores como segurança e qualidade de vida pesam na decisão de brasileiros que consideram mudar de país.
Para enfrentar o desafio demográfico, a Lituânia estruturou uma política pública específica para atração de profissionais internacionais. A estratégia é financiada pelo governo e executada por órgãos como o Invest Lithuania e o programa Work in Lithuania, que atuam tanto no recrutamento no exterior quanto no preparo de empresas locais para contratar estrangeiros.

Salários competitivos e qualidade de vida como atrativos
Além da remuneração em euro, o país aposta em qualidade de vida para seduzir profissionais. A Lituânia figura entre os países mais seguros do mundo, oferece cerca de 15 feriados nacionais por ano e possui licença parental que pode ultrapassar dois anos. Em Vilnius, engenheiros de software recebem, em média, entre 4 mil e 6 mil euros mensais, valor bem acima do salário médio nacional.
Mercado exige profissionais altamente especializados
Apesar das oportunidades, o mercado não é simples para todos os perfis. A demanda está concentrada em áreas altamente especializadas, como inteligência artificial, ciência de dados, cibersegurança avançada e sistemas corporativos. Profissionais generalistas enfrentam maior concorrência, e empresas ainda demonstram cautela ao contratar trabalhadores de fora da União Europeia.
Mesmo com a estratégia estruturada e campanhas direcionadas, o número de brasileiros vivendo na Lituânia ainda é reduzido: pouco mais de 150 pessoas. Ainda assim, o esforço de um pequeno país europeu para disputar profissionais brasileiros evidencia como o capital humano se tornou um ativo estratégico global.





