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Qual é o segredo para conseguir receber mais na aposentadoria do INSS?

Por Leandro Geraldo
11/06/2026
Créditos: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Créditos: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Conseguir a aposentadoria nem sempre é um processo simples, e mesmo após ter o benefício, muitos se perguntam se é possível receber um valor mais de salário. Pensando nisso, temos aqui alguns pontos importantes, para responder essa questão que vive na cabeça de muitos aposentados e pensionistas.

Garantir uma aposentadoria acima do salário mínimo exige organização financeira e planejamento de longo prazo. Isso porque o valor do benefício pago pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) está diretamente ligado ao histórico de contribuições do trabalhador ao longo da vida profissional.

Atualmente, dos 35,15 milhões de benefícios pagos pelo Regime Geral da Previdência Social, cerca de 21,9 milhões correspondem ao piso nacional de R$ 1.621.

Na Bahia por exemplo, o cenário segue a mesma tendência: dos mais de 2,4 milhões de beneficiários do estado, a maioria recebe apenas o valor mínimo.

Na prática, mais de 62% dos aposentados brasileiros dependem do piso previdenciário, o que reforça a importância de compreender as regras vigentes após a Reforma da Previdência para quem deseja obter uma renda maior no futuro.

Créditos: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Reforma implantada mudou as regras

O sistema previdenciário brasileiro é administrado pelo INSS e financiado por trabalhadores da iniciativa privada, autônomos, microempreendedores individuais (MEIs) e servidores públicos. Com a aprovação da Emenda Constitucional 103, em novembro de 2019, diversas regras foram alteradas.

Entre as principais mudanças estão o fim da aposentadoria exclusivamente por tempo de contribuição e a elevação gradual da idade mínima para concessão do benefício.

O objetivo da reforma foi reduzir a pressão sobre as contas públicas diante do envelhecimento da população brasileira. Estimativas do Senado Federal indicam uma economia potencial de até R$ 156,1 bilhões em uma década, embora o sistema ainda enfrente desafios para equilibrar receitas e despesas.

Cálculo da aposentadoria é feito de que forma?

Uma das alterações mais significativas promovidas pela reforma foi a forma de cálculo do benefício. Antes, era possível aumentar o valor da aposentadoria contribuindo pelo teto previdenciário apenas nos últimos anos de carreira. Hoje, essa estratégia não funciona mais.

O cálculo passou a considerar a média de todos os salários de contribuição desde julho de 1994, sem descartar os menores valores. Ao cumprir os requisitos para se aposentar, o segurado recebe inicialmente 60% dessa média.

A partir desse percentual, há acréscimos de 2% para cada ano adicional de contribuição acima do mínimo exigido. Para os homens, o adicional começa após 20 anos de recolhimento. Para as mulheres, o aumento passa a contar depois de 15 anos de contribuição.

Por exemplo, uma pessoa que pretende receber cerca de R$ 5 mil por mês na aposentadoria e planeja contribuir durante 30 anos teria direito a 80% da média salarial utilizada no cálculo. Para alcançar esse valor, seria necessário construir uma média de remuneração próxima de R$ 6.250 ao longo da vida profissional.

Quem trabalha com carteira assinada não pode simplesmente solicitar à empresa que recolha valores superiores aos previstos em lei para aumentar a futura aposentadoria. As contribuições são calculadas exclusivamente sobre a remuneração registrada formalmente.

Caso o salário seja inferior ao valor necessário para atingir a meta de aposentadoria desejada, uma alternativa legal é atuar também como contribuinte individual. Nessa modalidade, o trabalhador pode realizar recolhimentos complementares por meio das guias geradas no portal Meu INSS, contribuindo sobre rendimentos obtidos em atividades extras.

Outro fator importante é o modelo de contribuição escolhido. Modalidades simplificadas, como a contribuição de 5% destinada ao MEI e aos segurados de baixa renda inscritos no Cadastro Único, ou a alíquota de 11% utilizada por parte dos contribuintes individuais, garantem acesso apenas à aposentadoria por idade e limitam o benefício ao valor do salário mínimo.

No caso dos microempreendedores individuais, quem deseja receber um benefício superior ao piso precisa complementar a contribuição previdenciária além do recolhimento obrigatório realizado por meio do Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS).

Simulação pode ser diferencial no planejamento

Especialistas recomendam que os trabalhadores acompanhem regularmente sua situação previdenciária por meio da ferramenta “Simular Aposentadoria”, disponível no site e no aplicativo Meu INSS.

A plataforma reúne informações do histórico contributivo e apresenta uma estimativa do tempo restante para a aposentadoria, além de projetar o valor aproximado do benefício com base nas contribuições realizadas até o momento.

Caso a projeção esteja abaixo da renda desejada para o futuro, o resultado pode servir como alerta para reforçar o planejamento previdenciário, aumentar as contribuições dentro das possibilidades legais ou buscar alternativas complementares de investimento e proteção financeira.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leandro Geraldo

Leandro Geraldo

Estudou jornalismo na Estácio. É jornalista especializado na produção de conteúdo para web, com foco em programas sociais e benefícios do Governo, também cobre sorteios da Caixa. Atuou como editor de conteúdo para redes sociais, sendo formado em edição de vídeos no modo mobile, com ênfase no editor Capcut.

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