Um escândalo educacional de grandes proporções veio a público em agosto deste ano após autoridades australianas confirmarem o fechamento de oito instituições de ensino profissionalizante.
A decisão resultou no cancelamento de cerca de 23 mil diplomas emitidos entre 2023 e 2025, afetando diretamente estudantes locais e internacionais que passaram a ter suas qualificações consideradas inválidas.
A ação foi conduzida pela Autoridade Australiana de Qualidade de Competências (ASQA), órgão responsável por supervisionar o ensino técnico e profissional. Segundo a entidade, as escolas não cumpriam requisitos básicos de qualidade, tanto na estrutura dos cursos quanto na formação efetiva dos alunos.

Fiscalização revelou falhas graves na formação
As investigações apontaram que as instituições ofereciam cursos ligados a áreas com alta demanda migratória, como cuidados com idosos, cuidados infantis, serviço social, tecnologia da informação e reparação automotiva.
Apesar disso, as auditorias constataram que os conteúdos ministrados e os resultados acadêmicos estavam muito abaixo dos padrões exigidos. Para a ASQA, a situação representava risco direto à segurança e à qualidade de serviços essenciais prestados à população.
Dos cerca de 23 mil estudantes afetados, apenas uma parcela respondeu às notificações oficiais para tentar validar as credenciais obtidas. Nenhum conseguiu comprovar a regularidade dos diplomas.
O alerta se intensificou pelo fato de muitos desses profissionais atuarem ou pretendiam atuar em setores sensíveis, como saúde mental, assistência a jovens e atendimento a pessoas com deficiência.
O escândalo ocorre em meio a um momento de forte escrutínio sobre o sistema de vistos estudantis da Austrália. Dados oficiais indicam que dezenas de milhares de estrangeiros vivem no país com vistos vencidos, muitos deles vinculados a cursos profissionalizantes.





