Engana-se quem pensa que as árvores não possuem nenhuma utilidade nos centros urbanos. Em tempos de mudanças climáticas severas, elas são importantíssimas para reduzir o calor nas cidades e evitar enchentes. E mais: são positivas até mesmo para a questão da segurança pública.
De acordo com um levantamento feito por satélite pela MapBiomas, existe atualmente no Brasil um descaso com a arborização das cidades. De toda a área urbana do país, apenas 6,9% é coberta por vegetação. Nos bairros, o índice é baixíssimo, sendo que a recomendação da ONU é de, no mínimo, 30%.
Especialistas afirmam que as cidades precisam de um número elevado de árvores espalhadas pelo território. A arborização funciona como um escudo natural, protegendo pessoas e casas dos raios solares, assim contribuindo para a diminuição do calor. Além de ajudar a barrar a poeira e a poluição do ar.

Uma cidade mais verde tem um solo mais permeável, favorecendo a absorção da água das chuvas e evitando enchentes, alagamentos e enxurradas. Estudos indicam que os benefícios se estendem até para o campo da segurança pública: bairros arborizados atraem as pessoas para a rua, o que cria uma vigilância coletiva e sinaliza que a área não está abandonada.
São condições que criminosos tendem a evitar. E o lado positivo também abrange a redução da violência doméstica. As árvores atuam como reguladores emocionais, promovendo bem-estar, aliviando a ansiedade, o estresse e a impulsividade, assim diminuindo os conflitos familiares.
Solução está na política pública
Especialistas ouvidos pela Agência Senado afirmam que a solução para o problema da escassez de arborização está na criação de uma política pública que induza os governos municipais, estaduais e federal a aumentar a quantidade de árvores nas cidades.
Isso, obviamente, destinando recursos para a execução das medidas. É preciso ter árvores não só nos parques, mas também nas calçadas, canteiros centrais de avenidas, margens de rios e córregos, ao redor de edifícios administrativos e instalações públicas.
Atualmente, dois projetos de lei que abordam o tema são estudados pelo Congresso: o PL 3.113/2023, apresentado pelo senador Efraim Filho (União-PB), e o PL 4.309/2021, apresentado pelo ex-deputado Rodrigo Agostinho, atual presidente do Ibama.









