O interior de São Paulo abriga estruturas industriais que chamam atenção pela escala e pela forma como impactam a economia. Em meio a plantações e cidades médias, algumas operações conseguem conectar o campo diretamente ao mercado internacional, algo que até pouco tempo parecia distante.
No entanto, justamente nesse cenário está a Citrosuco, responsável pela maior planta de processamento de suco de laranja do mundo, localizada em Matão. A empresa atua de forma integrada e atende diversos países, com presença logística no Brasil, Estados Unidos, Áustria, Austrália, Bélgica, Japão e China.
Estrutura gigante e operação integrada
A unidade instalada em Matão é considerada o coração da operação da Citrosuco. É ali que ocorre desde a chegada da fruta até o processamento completo do suco, com etapas como extração, filtragem e armazenamento em temperatura controlada.
Além disso, a companhia mantém uma cadeia que conecta diferentes unidades industriais. Entre elas estão fábricas em Catanduva, Araras e também em Lake Wales, nos Estados Unidos, o que reforça o alcance internacional do negócio.
Outro ponto que chama atenção é o número de trabalhadores envolvidos. A empresa mantém cerca de 5,5 mil funcionários fixos, mas esse número pode ultrapassar 12 mil durante o pico da safra, o que mostra a dimensão da operação.
Justamente por essa estrutura, a planta funciona quase como uma cidade industrial. O local reúne processos completos que garantem padronização e controle desde o início até o envio do produto final para exportação.

Logística global e presença internacional
Para manter o fluxo de exportação, a Citrosuco também investiu em uma logística própria. A empresa conta com terminais em locais estratégicos como Santos, Wilmington, Ghent, Toyohashi e Newcastle.
Além disso, a companhia possui uma frota dedicada de navios, o que permite transportar o suco a granel com controle de temperatura. Essa estrutura reduz a dependência de terceiros e garante mais eficiência no envio aos mercados internacionais.
Até mesmo iniciativas mais recentes mostram essa evolução. Um dos navios da empresa, o MV Carlos Fischer, passou a utilizar biodiesel B24, reduzindo emissões e reforçando metas ambientais da companhia, segundo Karen Lopes, gerente-geral de Operações Marítimas e Terminais.
Outro diferencial está no aproveitamento total da laranja. A indústria utiliza não apenas o suco, mas também casca, sementes e outros componentes para gerar novos produtos, reduzindo desperdícios e ampliando receitas.

Produção, empregos e novas oportunidades
A história da unidade também ajuda a explicar sua relevância. A construção começou ainda nos anos 1960 e passou por mudanças importantes, como a substituição de combustível por biomassa nos anos 1980, antecipando práticas mais sustentáveis.
Atualmente, a empresa faz parte de um setor dominado por grandes grupos e tem papel central nas exportações brasileiras de suco de laranja. O país, inclusive, lidera esse mercado global, com forte presença na Europa e nos Estados Unidos.
Ao mesmo tempo, a Citrosuco segue ampliando suas atividades no campo. Há processos seletivos abertos para funções ligadas à operação agrícola, como na Fazenda San Pablo, em Presidente Venceslau, reforçando a necessidade constante de mão de obra.
Isso mostra que, além da indústria, o impacto também chega ao setor rural. A empresa depende de uma rede que envolve produção, transporte e processamento, criando oportunidades em diferentes regiões do estado.
No fim das contas, o modelo adotado conecta todas as etapas da cadeia produtiva. Do plantio até a exportação, tudo funciona de forma integrada, consolidando o interior paulista como um dos principais polos do suco de laranja no mundo.





