O avanço de um dos maiores projetos de mobilidade do país começa a sair do papel após anos de planejamento. Trata-se de uma iniciativa bilionária que promete transformar a rotina de deslocamento de milhares de pessoas, além de representar um novo momento para o transporte ferroviário nacional.
No entanto, mais do que encurtar distâncias, o projeto busca oferecer mais conforto e eficiência, com um modelo moderno ainda inédito no Brasil. A proposta envolve integração regional e melhorias que devem impactar diretamente quem depende do transporte público.
Obras começam após liberação ambiental
O projeto vai ligar Campinas à cidade de São Paulo, com obras iniciadas pela TIC Trens após autorização da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo, a Cetesb. As primeiras intervenções começaram em Vinhedo.
Nesta fase inicial, os trabalhos incluem instalação de canteiros, preparação do terreno, terraplenagem, contenções e construção de passagem inferior para veículos, além da remoção de interferências ao longo do trajeto.
A liberação ambiental permitiu o avanço em um trecho que inclui Jundiaí, Louveira, Vinhedo, Valinhos e Campinas, com cerca de 43,9 quilômetros. Segundo a concessionária, as obras vão avançar gradualmente até a capital paulista.

Trem terá alta velocidade e integração regional
O Trem Intercidades será o primeiro serviço de média velocidade do Brasil, podendo atingir até 140 km/h. O trajeto entre Campinas e São Paulo deve ser feito em cerca de 1 hora e 4 minutos.
O serviço expresso terá capacidade para aproximadamente 860 passageiros, com assentos marcados e espaços para bagagens e bicicletas. Já o Trem Intermetropolitano ligará Jundiaí a Campinas em cerca de 33 minutos.
Esse segundo serviço terá paradas em Louveira, Vinhedo e Valinhos, atendendo cidades estratégicas. Além disso, a Linha 7-Rubi, entre Água Branca e Jundiaí, será modernizada e integrada ao sistema.

Investimento bilionário e estrutura robusta
O projeto faz parte do TIC Eixo Norte e prevê cerca de 100 quilômetros de extensão. O contrato de concessão tem duração de 30 anos e investimento total de R$ 16,85 bilhões.
Desse valor, R$ 9,5 bilhões serão aportados pelo Governo do Estado de São Paulo. A TIC Trens foi criada após leilão em fevereiro de 2024, com contrato assinado em maio, com presença do governador Tarcísio de Freitas.
A empresa é formada pela CRRC Hong Kong, com 40%, e pelo Grupo Comporte, da família Constantino, com 60%. A CRRC será responsável pelos trens e sistemas, enquanto o grupo brasileiro atua na operação.
Além disso, veículos de manutenção vindos da China já estão sendo utilizados na Linha 7-Rubi. Entre eles estão locomotivas, vagões e equipamentos de manutenção ferroviária.
Ao todo, cerca de 50 veículos foram adquiridos para dar suporte à operação. A previsão é que o Trem Intercidades comece a funcionar em 2031, enquanto o serviço intermetropolitano deve iniciar antes, por volta de 2029.





