A Alemanha estuda elevar a cobrança aplicada a pessoas sem filhos como forma de reforçar o financiamento do sistema de auxílio-invalidez. A proposta surge em meio ao envelhecimento da população e à preocupação com o crescimento dos gastos nos próximos anos.
A medida apareceu em um documento interno do Ministério da Saúde que veio a público recentemente. Atualmente, quem não tem filhos já paga uma contribuição maior para o seguro de cuidados, enquanto os valores cobrados de pais variam conforme o número de filhos.
Pelas regras em vigor, a taxa para pessoas sem filhos é de 4,2% da renda, incluindo um adicional específico cobrado a partir dos 23 anos. A proposta discutida pelo governo prevê um aumento de 0,1 ponto percentual, elevando a alíquota para 4,3%.
O debate ocorre porque a Alemanha enfrenta uma mudança demográfica importante. Hoje, uma parcela significativa da população tem 67 anos ou mais, e o Ministério da Saúde estima que o sistema de auxílio-invalidez possa acumular um déficit de 22,5 bilhões de euros até o fim de 2028.
Dentro da coalizão liderada por Friedrich Merz, integrantes do Partido Social Democrata (SPD) demonstraram abertura para discutir a medida. Christos Pantazis afirmou que diferentes mecanismos de financiamento podem ser avaliados, enquanto Katrin Staffler, da CSU, argumentou que pais contribuem para a sustentação futura dos sistemas de seguridade social.

Críticas e discussão sobre a reforma do sistema
Por outro lado, partidos de oposição e representantes de entidades sociais questionam a proposta. Simone Fischer, dos Verdes, criticou iniciativas isoladas, enquanto Evelyn Schötz, do partido A Esquerda, afirmou que a mudança teria efeito limitado e não resolveria os problemas estruturais do sistema.
Verena Bentele, da associação VdK, Thomas Knieling, da VDAB, e Andreas Storm, da seguradora DAK, também defenderam reformas mais amplas. Já a ministra da Saúde, Nina Warken, prepara um projeto para reformular o sistema de cuidados, que deve ser apresentado nos próximos meses e poderá incluir mudanças no acesso aos benefícios e nos subsídios destinados a internações em lares de idosos.





