Durante décadas, uma regra oficial impediu que nomes registrados no Brasil utilizassem as letras K, W e Y. A medida acabou sendo revertida anos depois, mas deixou uma das histórias mais curiosas envolvendo a língua portuguesa e os registros civis do país.
A mudança aconteceu com a aprovação do Formulário Ortográfico de 1943, durante o governo de Getúlio Vargas. Naquele período, o país vivia o Estado Novo e havia um esforço para reforçar a identidade nacional também por meio da padronização da escrita.
Com a nova regra, as letras K, W e Y deixaram de fazer parte do alfabeto oficial brasileiro, que passou a ter 23 letras. A justificativa era que esses caracteres não tinham origem greco-latina clássica na formação do português utilizado no Brasil.
A decisão também afetou os registros de nascimento. Os cartórios deveriam seguir a ortografia oficial, o que levou à adaptação de diversos nomes. Assim, Walter poderia virar Válter, William poderia ser registrado como Uíliam e Kelly poderia aparecer nos documentos como Queli.
Apesar da determinação, havia algumas exceções previstas. As letras continuavam permitidas em nomes de origem estrangeira considerada inegável e também em símbolos internacionais de medidas, como km e kg. No entanto, a aplicação da norma variava bastante entre diferentes cidades e cartórios.

O retorno das letras ao alfabeto brasileiro
Com o passar dos anos, a presença crescente de termos estrangeiros, além da popularização da internet, tornou cada vez mais difícil manter a exclusão dessas letras. Palavras como show, play e link passaram a fazer parte do cotidiano de milhões de brasileiros.
A situação mudou com o Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, assinado em 1990 e implementado no Brasil a partir de 2009. A reforma reconheceu oficialmente o uso consolidado das três letras, permitindo seu retorno definitivo ao alfabeto, que voltou a contar com 26 letras.





