Recentemente, vieram à tona detalhes sobre os valores cobrados pelo então Presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a realização de palestras no Brasil e no exterior. Em depoimento prestado à Polícia Federal, Lula afirmou que cada palestra custava exatamente US$ 200 mil.
O depoimento foi colhido em março de 2016, no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, após Lula ser conduzido coercitivamente para prestar esclarecimentos no âmbito das investigações da Operação Lava Jato. A declaração passou a integrar apurações sobre a origem e a legalidade dos recursos recebidos por meio de palestras realizadas após o fim de seu governo, em 2011.

Depoimento à Polícia Federal e definição dos valores
Durante o depoimento, Lula explicou que o valor de US$ 200 mil era fixo e não sofria variações. Segundo ele, a decisão levou em conta quanto outros ex-chefes de Estado cobravam por palestras, citando nominalmente o ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton como referência.
O Presidente detalhou ainda que, ao deixar o cargo, intensificou a agenda internacional com o objetivo de manter distância do cenário político interno e permitir que a então presidente Dilma Rousseff governasse sem interferências. Ele relatou que 2011 foi o ano em que mais viajou, chegando a cumprir compromissos com frequência semanal, até ser diagnosticado com câncer no final daquele ano.
As palestras eram intermediadas pelo Instituto Lula ou pela empresa Lils Palestras, criada especificamente para essa finalidade. Segundo Lula, empresas interessadas entravam em contato para verificar sua disponibilidade e tratar das condições dos eventos.
As remunerações passaram a ser investigadas por suspeitas de que os valores poderiam mascarar repasses indevidos relacionados a contratos da Petrobras. Lula negou irregularidades e classificou parte das investigações como abusivas, especialmente as relacionadas ao tríplex no Guarujá, tema que também foi abordado no depoimento.









