Há mais de uma década, um acidente nuclear na central de Fukushima, no Japão, resultou na evacuação de cidades inteiras. O terremoto e o tsunami de 11 de março de 2011 deixaram vastas áreas desabitadas, criando um ambiente propício para a vida selvagem.
Com a ausência humana, a natureza começou a se reapropriar do espaço, permitindo que diversas espécies, incluindo javalis, ocupassem as ruas anteriormente habitadas. Após o desastre, cientistas observaram o que chamaram de “experimento natural”.
Os javalis que invadiram Fukushima não apenas se multiplicaram, mas também passaram por mudanças genéticas inesperadas. O cruzamento com porcos domésticos que escaparam de fazendas abandonadas contribuiu para a formação de uma nova população híbrida. Esse fenômeno despertou o interesse dos pesquisadores, que realizaram um estudo genético para entender as implicações desse cruzamento.

A dinâmica da reprodução híbrida
O estudo, conduzido pela Universidade de Fukushima, analisou o DNA de 191 javalis híbridos. Os resultados revelaram que a biologia dos porcos domésticos, que podem se reproduzir durante todo o ano, acelerou o processo reprodutivo.
Essa vantagem permitiu que a nova população se expandisse rapidamente em um ambiente sem predadores e com recursos abundantes, como campos agrícolas abandonados.
Um aspecto surpreendente da pesquisa foi a rápida diminuição dos genes de porco doméstico na população híbrida. Com o tempo, à medida que os híbridos cruzavam entre si e com javalis selvagens, as características dos porcos domésticos começaram a desaparecer.
Em apenas cinco gerações, muitos indivíduos apresentavam características quase indistinguíveis dos javalis puros, evidenciando a força da seleção natural. As conclusões do estudo, publicadas no Journal of Forest Research, têm implicações importantes para a gestão de fauna invasora.





