Chegar alguns minutos depois do horário combinado pode parecer algo corriqueiro na rotina profissional. No entanto, a repetição desse comportamento pode trazer consequências tanto para o trabalhador quanto para a empresa. Especialistas em gestão de pessoas alertam que a pontualidade continua sendo um dos pilares da disciplina organizacional e da eficiência produtiva.
Imprevistos acontecem — desde congestionamentos e falhas no transporte público até emergências pessoais. Ainda assim, a administração dessas situações precisa estar alinhada às normas legais e às políticas internas das empresas. Para o setor de Recursos Humanos, compreender o que a legislação permite é fundamental para evitar conflitos e reduzir riscos trabalhistas.
O que estabelece a legislação trabalhista
A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) não prevê a popular “tolerância de 15 minutos” que circula no senso comum. O que a lei determina, no Artigo 58, é uma margem de cinco minutos por marcação de ponto, limitada a dez minutos diários. Dentro desse intervalo, não há previsão de desconto salarial.
Ultrapassado esse limite, porém, a empresa pode descontar o período integral não trabalhado. A Súmula 366 do Tribunal Superior do Trabalho reforça que, excedida a tolerância, o controle é feito minuto a minuto. Assim, um atraso de 12 minutos permite o desconto dos 12 minutos completos, e não apenas do excedente.

Diferença entre justificativa e negligência
A natureza do atraso também influencia a forma como ele é tratado. Situações de força maior, como emergências médicas ou acidentes graves, quando devidamente comprovadas, tendem a ser analisadas com maior flexibilidade. Já atrasos frequentes e sem justificativa podem ser enquadrados como desídia — termo jurídico que caracteriza negligência no desempenho das funções.
Nesses casos, o empregador pode aplicar medidas disciplinares progressivas, como advertência e suspensão. Em situações extremas e recorrentes, a demissão por justa causa, prevista no Artigo 482 da CLT, pode ser adotada.
Impactos operacionais e limites da empresa
Além das repercussões individuais, a falta de pontualidade pode gerar efeitos coletivos. Em setores que dependem de trabalho em equipe ou de escalas rígidas, atrasos provocam sobrecarga, atrasam processos e podem resultar em perdas financeiras.
Por outro lado, especialistas alertam que a empresa também precisa agir dentro dos limites legais. Impedir o funcionário de trabalhar o restante do dia por conta de atraso é prática considerada abusiva e pode resultar em questionamentos judiciais.





