Recentemente, um inquérito aberto pelo Ministério Público Federal (MPF) no Rio de Janeiro trouxe à tona a descoberta de 158 cadernetas de poupança abertas por pessoas escravizadas. Essa informação foi obtida a partir de um acervo histórico da Caixa Econômica Federal (CEF), que contém cerca de 14 mil documentos com mais de 150 anos.
Apesar da importância da descoberta, o MPF considera que o levantamento realizado é limitado. O procurador regional dos Direitos do Cidadão adjunto, Júlio Araujo, apontou que a análise das cadernetas de poupança não é suficiente.
Ele enfatiza que é necessário examinar também os livros de conta corrente, que podem fornecer informações relevantes sobre as economias dos escravizados. Araujo destaca que a pesquisa precisa ser realizada de maneira adequada e metódica, algo que não foi claramente informado pela Caixa.
Cobrança de informações detalhadas
Diante das inconsistências encontradas na pesquisa, o MPF exigiu que a Caixa apresentasse informações detalhadas sobre a equipe envolvida e a metodologia utilizada. Além disso, a instituição deve informar a quantidade de livros de contas correntes que existem no acervo.
Maristela Farias, dirigente nacional do Quilombo Raça e Classe, ressalta que a questão central não é apenas a quantidade de contas abertas, mas a necessidade de reparação histórica pelas vidas negras.
Ela argumenta que, assim como outros grupos que sofreram injustiças no passado, os descendentes de escravizados também merecem reconhecimento e reparação. Farias enfatiza que a escravidão foi um crime prolongado, com mais de 300 anos de exploração e opressão, e que as consequências desse período ainda são sentidas na sociedade contemporânea.
Farias também destaca que o Estado brasileiro possui uma dívida histórica com os afro-brasileiros, que continuam a enfrentar marginalização e discriminação. A memória histórica deve ser preservada, e é fundamental que o Estado reconheça seu papel na perpetuação de injustiças.





