A tensão entre China e Estados Unidos ganhou um novo capítulo após uma proposta apresentada no Congresso americano ameaçar a estratégia chinesa para o setor de inteligência artificial. O governo chinês reagiu ao avanço da chamada Lei MATCH e indicou que prepara medidas contra restrições comerciais, durante a visita de Donald Trump a Pequim.
O projeto discutido em Washington pretende endurecer as regras para a venda de equipamentos usados na fabricação de chips para empresas chinesas. A iniciativa também pressiona países aliados dos Estados Unidos a reduzirem o fornecimento dessas tecnologias ao mercado asiático, aumentando ainda mais o clima de disputa entre as duas potências.
Projeto amplia pressão sobre exportações
A Lei MATCH foi apresentada na Câmara dos Representantes e no Senado dos Estados Unidos no mês passado. O foco da proposta é diminuir brechas que permitem a venda de equipamentos essenciais para a produção de semicondutores utilizados em sistemas de inteligência artificial.
Entre as empresas afetadas aparecem a Tokyo Electron e a ASML, fornecedoras de máquinas usadas em fábricas de chips. Segundo os detalhes discutidos no Congresso americano, países como Japão e Holanda poderiam ser pressionados a limitar exportações destinadas ao território chinês.
Além disso, a proposta prevê que os Estados Unidos possam exigir licenças para manutenção dos equipamentos vendidos anteriormente à China. Caso aliados não acompanhem as restrições comerciais, o governo americano teria autorização para impor controles adicionais sobre esse tipo de serviço.
A Micron, fabricante americana de chips de memória, aparece entre as empresas que apoiam o avanço da medida. O movimento ganhou força depois que Donald Trump decidiu adiar novas limitações envolvendo exportações de tecnologia para a China, mesmo diante de preocupações ligadas à segurança nacional.
China reage e ameaça contramedidas
Após o avanço do projeto, o Ministério do Comércio da China, conhecido como MOFCOM, criticou duramente a iniciativa americana. O órgão afirmou que a Lei MATCH poderá prejudicar a ordem econômica e comercial internacional, além de afetar a cooperação entre países envolvidos no setor tecnológico.
O governo chinês também publicou um decreto voltado ao combate desse tipo de regulamentação estrangeira. Entre as possíveis respostas estudadas por Pequim está a inclusão de empresas internacionais em uma chamada “lista de entidades maliciosas”, acompanhada de punições comerciais e ações legais.
Segundo as informações divulgadas, o assunto também teria sido discutido em encontros diplomáticos realizados na embaixada dos Estados Unidos na China. Apesar disso, os participantes das reuniões não confirmaram o conteúdo das conversas envolvendo o projeto debatido no Congresso americano.

Visita de Trump aumenta expectativa
A discussão sobre tecnologia acontece paralelamente à visita oficial de Donald Trump à China nesta quarta-feira. O presidente americano desembarcou em Pequim para um encontro com Xi Jinping, em uma agenda importante para o futuro da relação entre as duas maiores economias do planeta.
Trump viajou acompanhado de empresários americanos interessados em ampliar negócios no mercado chinês. O próprio presidente dos Estados Unidos afirmou que um dos objetivos da viagem é incentivar a abertura da economia chinesa para empresas americanas, em meio ao aumento das tensões comerciais.
Existe expectativa de que a Lei MATCH entre na pauta das conversas entre Trump e Xi Jinping nos próximos dias. Enquanto os debates continuam no Congresso americano, a reação chinesa reforça o tamanho da disputa envolvendo chips, inteligência artificial e influência econômica global.





