O empresário Eike Batista anunciou uma nova investida no setor de biocombustíveis ao apresentar a chamada “supercana”, uma variedade de cana-de-açúcar geneticamente melhorada que promete ganhos expressivos de produtividade.
A iniciativa marca o retorno do empresário a projetos de grande escala ligados à energia e sustentabilidade, setor no qual o Brasil ocupa posição estratégica no cenário global.
Produtividade e inovação no campo
Segundo os dados divulgados pelo projeto, a supercana teria capacidade de produzir até três vezes mais etanol e até 12 vezes mais biomassa por hectare do que a cana convencional. A proposta é tornar o cultivo mais eficiente e competitivo, especialmente diante do avanço do etanol de milho, amplamente utilizado nos Estados Unidos.
A inovação busca atender à crescente demanda por combustíveis renováveis e matérias-primas sustentáveis.

Projeto-piloto no Rio de Janeiro
O desenvolvimento da supercana está sendo conduzido pela empresa BRXe, com área experimental localizada em Quissamã, no norte do estado do Rio de Janeiro. O local funciona como base para testes agronômicos e avaliações iniciais de produtividade, antes de uma eventual expansão para outras regiões do país.
Ceticismo e falta de validação científica
Apesar do discurso otimista, especialistas do setor demonstram cautela. As projeções apresentadas ainda não contam com comprovação científica independente, o que gera dúvidas sobre a viabilidade da cultura em larga escala.
A indústria também questiona o comportamento da “supercana” em diferentes climas e solos brasileiros, ponto considerado decisivo para o sucesso do projeto.
Investimentos e planos de expansão
O empreendimento prevê investimentos da ordem de US$ 500 milhões, com participação de investidores árabes e da Brasilinvest. O plano de expansão inclui a implantação de até 20 módulos de 70 mil hectares pelo Brasil, com expectativa de produzir bilhões de litros de etanol e grandes volumes de biomassa até 2028.
Se as promessas se confirmarem, a “supercana” pode fortalecer a posição do Brasil no mercado global de energia renovável, além de abrir espaço para novas aplicações, como a produção de embalagens biodegradáveis a partir do bagaço da cana.





