Enquanto o Brasil discute reduzir a jornada semanal para 40 horas sem corte salarial, a Alemanha segue justamente na direção oposta e avalia permitir expedientes que podem ultrapassar 12 horas por dia. As mudanças nos dois países colocaram novamente o debate sobre escala de trabalho no centro das discussões políticas e econômicas.
No Brasil, a proposta é relatada pelo deputado Léo Prates e prevê o fim gradual da escala 6×1. O texto reduz a carga semanal de 44 para 40 horas em até 14 meses após a promulgação da PEC, além de garantir duas folgas remuneradas por semana, preferencialmente aos domingos.
O pedido de vista adiou a votação da proposta na comissão especial da Câmara, mas a expectativa é que a análise avance nos próximos dias. Caso aprovada, a PEC ainda precisará passar pelo Senado e dependerá do apoio mínimo de 308 deputados e 49 senadores para entrar em vigor.
Já na Alemanha, o principal foco da discussão é uma reforma trabalhista articulada pelo governo de coalizão liderado pelo chanceler Friedrich Merz. A proposta foi apresentada pela ministra do Trabalho Bärbel Bas, integrante do SPD, o Partido Social-Democrata.
Atualmente, a legislação alemã limita a jornada regular a oito horas diárias, podendo chegar a dez em situações específicas. No entanto, a nova proposta elimina justamente esse teto diário e mantém apenas o limite semanal de 48 horas previsto pela Diretiva Europeia de Tempo de Trabalho.

O que pode mudar na Alemanha
Segundo estimativas do Instituto Hugo Sinzheimer, a manutenção do descanso obrigatório de 11 horas entre turnos permitiria jornadas de até 12 horas e 15 minutos por dia. Caso esse ritmo fosse repetido durante seis dias consecutivos, a carga semanal poderia alcançar aproximadamente 73,8 horas.
O governo alemão afirma que a mudança daria mais flexibilidade para empresas e trabalhadores organizarem suas escalas conforme a demanda de cada setor. Enquanto isso, no Brasil, economistas defendem que a redução da jornada seja acompanhada por investimentos em produtividade, qualificação profissional e melhorias em infraestrutura e logística.





