A possibilidade de uma nova regra ambiental afetar o plantio de eucalipto passou a gerar preocupação em parte do setor produtivo brasileiro nos últimos meses. A discussão envolve uma proposta que analisa a inclusão de espécies consideradas exóticas invasoras em uma lista nacional ligada à biodiversidade.
Entre as culturas citadas na proposta está justamente o eucalipto, além de pinus, tilápia, camarão vannamei e braquiárias usadas em pastagens. O tema será analisado pela Comissão Nacional de Biodiversidade, a Conabio, que deve apreciar a resolução na próxima quarta-feira (27/5).
Apesar da repercussão, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima afirma que a eventual inclusão dessas espécies na lista não significa proibição automática do cultivo. Segundo a pasta, a classificação possui caráter técnico e preventivo, sem previsão de interromper atividades econômicas já consolidadas.
Ainda assim, representantes do setor produtivo demonstram preocupação com possíveis impactos futuros. O deputado federal Pedro Lupion, presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, afirma que normas já existentes do Ibama poderiam abrir caminho para restrições envolvendo espécies consideradas invasoras.
Entidades ligadas à produção também demonstraram receio sobre consequências econômicas e comerciais. A Associação Brasileira das Indústrias de Pescados classificou a proposta como tecnicamente imprecisa, enquanto a Associação Brasileira de Piscicultura teme impactos negativos em mercados internacionais estratégicos.

O que está em debate na Conabio
O Ministério do Meio Ambiente lembra que a Conabio reúne representantes de ministérios, universidades, institutos de pesquisa, produtores rurais, pescadores artesanais, povos indígenas e organizações ambientalistas. O colegiado atua no acompanhamento das políticas nacionais de biodiversidade e foi atualizado pelo Decreto nº 12.017/2024.
Durante audiência no Senado no ano passado, João Paulo Capobianco afirmou que o debate sobre espécies exóticas invasoras não começou no atual governo. Segundo ele, as discussões sobre a tilápia, por exemplo, existem desde 2006, mas sem qualquer definição de erradicação ou proibição da criação no Brasil.





