Uma multinacional anunciou a transferência de sua produção de lavadoras da fábrica localizada em Pilar, na Argentina, para sua unidade em Rio Claro, São Paulo. Essa mudança foi oficializada recentemente e representa um importante movimento estratégico para a companhia, consolidando o complexo de Rio Claro como o principal centro de manufatura do grupo para a América do Sul.
Para viabilizar a transferência, a operação brasileira comprou ativos da filial argentina por US$ 36,7 milhões (cerca de R$ 194,1 milhões). O governo de São Paulo também apoia com incentivos fiscais, como a redução do ICMS para 7% na fabricação de eletrodomésticos.
Cenário na Argentina
A unidade de Pilar, inaugurada em outubro de 2022 com um investimento de US$ 52 milhões, foi projetada para operar em um ambiente de economia protegida, com a expectativa de produzir 300 mil máquinas de lavar anualmente.
No entanto, a situação mudou drasticamente a partir do final de 2023, quando o governo argentino decidiu reduzir o imposto de importação de eletrodomésticos, permitindo uma maior entrada de produtos asiáticos no mercado.
Com a redução do imposto, as importações de máquinas de lavar na Argentina saltaram de 5 mil para 87 mil unidades mensais, prejudicando a produção local, que caiu de 600 para 400 unidades diárias antes do fechamento. A filial agora atuará apenas como importadora e distribuidora, com cerca de 100 a 120 funcionários.
A transferência da produção para o Brasil ocorre em um cenário desafiador, com a taxa Selic elevada a 14,75% ao ano, encarecendo o crédito e impactando o varejo de eletrodomésticos. Apesar disso, Gustavo Ambar, diretor-geral da Whirlpool no Brasil, destacou que o mercado de trabalho aquecido e o aumento da renda média podem compensar os juros altos.
A empresa espera que essas condições permitam um crescimento nas vendas e sustentem a operação em 2026, com um câmbio projetado de R$ 5,50 por dólar, facilitando a importação de insumos.





