O Governo Federal do México chegou a anunciar a antecipação das férias escolares por causa da Copa do Mundo de 2026, mas precisou recuar poucos dias depois diante da forte reação negativa no país. A proposta também foi associada às ondas de calor extremas que atingem diversas regiões mexicanas, justamente em um período de preparação para o torneio.
A medida havia sido apresentada pelo secretário de Educação, Mario Delgado, que defendeu a redução do calendário letivo como forma de proteger os estudantes das temperaturas elevadas. Além disso, o plano buscava diminuir impactos na logística das cidades que receberão partidas do Mundial.
As férias normalmente começariam em 15 de julho, no entanto, a intenção era antecipar o encerramento das aulas para 5 de junho. A mudança ocorreria poucos dias antes da abertura da Copa, marcada para o Estádio Azteca, na Cidade do México.
Reação negativa derrubou proposta
A presidente Claudia Sheinbaum comentou o assunto após a repercussão tomar conta do país. Segundo ela, a ideia levava em consideração o entusiasmo dos mexicanos pela Copa do Mundo, mas também precisava respeitar o calendário escolar das crianças.
O governo avaliava ainda o provável aumento do trânsito e da movimentação de turistas nas três cidades-sede mexicanas: Cidade do México, Guadalajara e Monterrey. O país receberá 13 partidas da Copa e espera até 5 milhões de visitantes estrangeiros durante o evento.
Mesmo assim, a proposta gerou críticas imediatas de associações de pais, professores, empresários e até governos estaduais. Parte da população considerou inadequado alterar a rotina de milhões de estudantes por causa de um torneio esportivo realizado em apenas algumas regiões do país.
A União Nacional de Associações de Pais do México foi uma das entidades que reagiram publicamente. O grupo afirmou que a educação não poderia ser sacrificada por um evento esportivo e questionou o motivo de afetar milhões de alunos em todo o território mexicano.
Educação e calor extremo viraram debate
A proposta acabou sendo retirada após uma reunião entre representantes do governo, educadores e pais de estudantes. O receio era de que a antecipação das férias prejudicasse o aprendizado e criasse dificuldades para famílias que dependem da rotina escolar para cuidar das crianças.
O jornalista Jorge Bustos, do jornal “Record”, também comentou o tema. Segundo ele, mesmo pessoas ligadas ao esporte reconheciam que existiam questões mais importantes do que a Copa do Mundo, especialmente em um país que enfrenta desafios na área educacional.
O México já viveu situações parecidas anteriormente por causa das altas temperaturas. Em 2023, 18 estados suspenderam aulas presenciais e anteciparam o encerramento do ano letivo durante outra onda de calor, afetando cerca de 13 milhões de crianças.
Atualmente, o país enfrenta a sua segunda onda de calor em 2026, com temperaturas superiores aos 45 °C em diferentes estados. O Serviço Meteorológico Nacional alertou que o cenário pode continuar nos meses de junho e julho, mesmo com possibilidade de chuvas em algumas regiões.

Copa de 2026 amplia preocupação climática
Especialistas também relacionaram o caso aos efeitos das mudanças climáticas. A pesquisadora Karina Bruno Lima explicou que atletas, trabalhadores expostos ao Sol e populações mais pobres acabam sendo os grupos mais vulneráveis durante períodos prolongados de calor extremo.
Segundo ela, o avanço do aquecimento global tem tornado eventos climáticos severos cada vez mais frequentes e intensos. A pesquisadora ainda destacou que cidades precisam ampliar áreas verdes e espaços com água para reduzir os impactos das temperaturas elevadas.
Dados do Centro Universitário Transdisciplinar para a Sustentabilidade apontam que o México aqueceu 3,2 °C por século, acima da média global. Diante desse cenário, autoridades seguem recomendando hidratação constante, roupas leves, protetor solar e menos exposição prolongada ao Sol.





