Em um esforço para reduzir assaltos, a prefeitura de Bogotá implementou uma lei que impede homens de viajarem como passageiros em motocicletas de alta cilindrada. A norma, válida desde 2018, se aplica a veículos com mais de 125 centímetros cúbicos, durante o dia.
O prefeito Enrique Peñalosa justificou a decisão como resposta a um problema histórico de criminalidade. A medida evoca lembranças dos anos 1980 e 1990, quando gangues ligadas ao narcotraficante Pablo Escobar cometiam roubos em motos com dois ocupantes.

Essa prática se tornou comum na época, impulsionando a necessidade de intervenções similares em outras regiões da Colômbia. Em locais como Cali, Barranquilla e Cúcuta, a proibição ainda está em vigor.
Críticas e Suspensões em Outras Cidades
Motociclistas de Bogotá expressaram indignação com a lei, argumentando que ela discrimina usuários de motos e prejudica profissionais que dependem desse meio de transporte.
Segundo relatos à imprensa, a restrição pode afetar o cotidiano de quem usa motos para escapar de perigos no trânsito caótico da capital. Em Medellín, um tribunal revogou a proibição em 2015, após três anos de aplicação, por considerá-la uma violação aos direitos individuais.
A decisão destacou que a medida penalizava cidadãos sem intenção criminosa, gerando debates contínuos sobre equilíbrio entre segurança e liberdade.
Dados e Impacto na População
Estatísticas da polícia metropolitana revelam que, em 2017, houve mais de 5 mil casos de furtos cometidos por duplas em motocicletas, com uma média diária de 14 incidentes.
O prefeito Peñalosa estima que 5% dos moradores de Bogotá usam motos regularmente, e apenas 10% deles transportam acompanhantes. Essa iniciativa visa proteger a população, mas gera controvérsias sobre seu alcance.
Especialistas apontam que, embora reduza crimes, a lei pode complicar a mobilidade urbana em uma cidade onde motos são essenciais para muitos. O debate persiste, com propostas de ajustes para equilibrar prevenção e direitos civis.





