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Nova regra pode tornar todos os estágios remunerados com um salário mínimo caso nova lei seja aprovada

Por Henrique Cesaretti
31/03/2026
Créditos: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Créditos: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O debate sobre mudanças nas regras de estágio no Brasil voltou a ganhar força nos bastidores políticos e econômicos nos últimos meses. A proposta chama atenção justamente por mexer com milhões de estudantes que buscam uma oportunidade no mercado. No entanto, ainda há pontos importantes sendo discutidos antes de qualquer definição concreta.

A medida em questão está prevista no Projeto de Lei 6350/2025, que propõe tornar obrigatória a remuneração de todos os estágios no país. Pelo texto, estudantes que hoje atuam sem bolsa passariam a receber pelo menos um salário mínimo. A ideia, segundo a proposta, é garantir maior proteção financeira e valorização da atividade.

O que diz o projeto de lei sobre os estágios

O Projeto de Lei 6350/2025 estabelece que nenhum estágio poderá ser realizado sem pagamento de bolsa ao estudante. Atualmente, a legislação permite estágios não remunerados em alguns casos, especialmente em áreas como educação e serviço social. No entanto, a nova regra pretende acabar com essa possibilidade.

A justificativa do projeto destaca que muitos estudantes acabam sendo explorados ao exercer atividades sem qualquer tipo de remuneração. Além disso, há o argumento de que o estágio muitas vezes substitui funções de trabalho formal. Justamente por isso, a proposta busca equilibrar essa relação.

Outro ponto relevante é que o texto não altera a natureza do estágio como atividade educacional. Ou seja, ele continua vinculado à formação do estudante e supervisionado por instituições de ensino. Ainda assim, passa a ter uma exigência mínima de pagamento, o que pode impactar empresas e órgãos públicos.

Créditos: Freepik

Impactos esperados para estudantes e empresas

Caso a proposta seja aprovada, o impacto será imediato tanto para estudantes quanto para empregadores. Para os alunos, a mudança pode representar uma melhora significativa na renda durante o período de formação. Até mesmo aqueles que antes não recebiam nada passariam a contar com um valor fixo mensal.

Por outro lado, empresas podem enfrentar um aumento de custos ao contratar estagiários. Isso pode levar a uma redução no número de vagas oferecidas, especialmente em setores com menor capacidade financeira. No entanto, defensores da medida acreditam que a qualidade das oportunidades tende a aumentar.

Além disso, especialistas apontam que a exigência de remuneração pode incentivar maior formalização dos estágios. Isso significa contratos mais claros e menos irregularidades, algo que hoje ainda é comum em algumas áreas. A mudança, portanto, também teria um efeito regulatório importante.

Créditos: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Relação com o salário mínimo e projeções futuras

O projeto ganha ainda mais relevância quando analisado junto às projeções do salário mínimo para os próximos anos. Segundo estimativas recentes, o valor pode continuar subindo gradualmente até 2027. Isso significa que o piso para estagiários também acompanharia esse crescimento.

A projeção indica que o salário mínimo pode ter reajustes baseados na inflação e no crescimento econômico. No entanto, há limitações impostas pelo novo arcabouço fiscal, que controla o ritmo dessas correções. Ainda assim, o valor tende a aumentar ao longo do tempo.

Com isso, a proposta de estágio remunerado obrigatório pode ter efeitos financeiros maiores no futuro. Empresas precisarão se adaptar não apenas à regra, mas também às mudanças no valor do salário mínimo. Até mesmo estudantes podem se beneficiar de ganhos progressivos ao longo dos anos.

Apesar da repercussão, o projeto ainda precisa passar por etapas importantes no Congresso Nacional. Isso inclui обсужões em comissões e votação em plenário antes de uma possível sanção. No entanto, o tema já mobiliza diferentes setores e deve continuar em destaque.

Diante desse cenário, o futuro dos estágios no Brasil pode estar prestes a mudar de forma significativa. A proposta levanta debates sobre equilíbrio entre formação e trabalho, além de justiça na remuneração. Justamente por isso, a decisão final será acompanhada de perto por estudantes e empresas.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Henrique Cesaretti

Henrique Cesaretti

Jornalista formado pela Universidade São Judas Tadeu (SP). Tem passagem pela Rede Minas de Televisão, além de sites esportivos como VerdãoWeb e SPFC.NET. Já atuou como correspondente para diferentes sites, com a redação de notícias.

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