A ferrovia Transnordestina deu um passo simbólico ao realizar sua primeira viagem teste no Nordeste. Um trem com 20 vagões partiu do Piauí rumo ao Ceará carregando milho.
A composição saiu de Bela Vista do Piauí e seguiu até Iguatu, no interior cearense. O trajeto experimental marcou a estreia operacional após liberações aguardadas há meses.
O carregamento ocorreu próximo ao futuro Terminal Intermodal de Cargas do Piauí, ainda em implantação. A previsão era que a chegada ao destino ocorresse nas primeiras horas da manhã seguinte.
O descarregamento foi programado para uma área próxima ao local onde será instalado o Terminal Logístico de Iguatu. A operação serviu para testar tempo, segurança e integração da malha.
Licenças destravam testes operacionais
A viagem havia sido planejada inicialmente para outubro, mas acabou adiada. A falta da licença ambiental impediu a circulação do trem naquele momento.
Com a autorização do Ibama e o aval da ANTT, o teste finalmente foi liberado. A emissão dos documentos permitiu avançar para uma fase prática do projeto ferroviário.
Segundo os responsáveis, a viagem ajuda a validar sistemas e procedimentos. Os dados coletados devem orientar ajustes antes do início das operações regulares.
A Transnordestina é considerada um eixo essencial para a logística regional. A expectativa é reduzir custos e ampliar a competitividade do transporte de cargas.
Obras avançam apesar de histórico conturbado
Com 1.206 quilômetros previstos, a ferrovia é um dos maiores projetos do Nordeste. A primeira fase já alcançou cerca de 78% de execução física.
Atualmente, mais de 4 mil trabalhadores atuam nos canteiros de obras. Trechos já contam com trilhos assentados, enquanto outros seguem em infraestrutura pesada.
A conclusão da Fase 1 está prevista para 2027, com ligação ao Porto do Pecém. Já a segunda etapa, no Piauí, deve ser retomada em 2026.
As obras começaram há quase duas décadas e enfrentaram paralisações. Investigações e suspeitas de irregularidades chegaram a interromper o projeto em 2016.





