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Para visitar o lago mais limpo do mundo é preciso limpar os sapatos antes

Por Fagner Gregório
05/01/2026
Créditos: Shutterstock

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No Parque Nacional de Nelson Lakes, na Ilha do Sul da Nova Zelândia, está Rotomairewhenua, conhecido como o lago mais limpo do mundo. O local apresenta coloração azul-violeta e água alimentada por nascentes glaciares do Lago Constance. 

Descoberto pelos Ngāti Apa, um iwi Māori, Rotomairewhenua significa “o lago de terras pacíficas”. Para esse povo, o lago sempre teve valor espiritual, sendo utilizado em rituais de limpeza dos ossos dos mortos, acreditando-se que isso garantia uma passagem segura até Hawaiki, terra ancestral. Mesmo sem esses rituais hoje, o lago permanece sagrado e ligado à identidade cultural do grupo.

Créditos: Shutterstock

Pureza ameaçada pelo aumento do turismo

A projeção surgiu há cerca de uma década, quando cientistas identificaram visibilidade entre 70 e 80 metros, valor comparável ao da água pura. O título de “lago mais limpo do mundo” e a divulgação em redes sociais transformaram o local em destino turístico.

Com o aumento de visitantes, cresceram os riscos ambientais. A principal ameaça é a lindavia, uma alga microscópica invasora já presente em lagos próximos. Ela pode ser transportada em botas, equipamentos ou garrafas, bastando pequenas quantidades de água para a contaminação. 

Desde a divulgação dos estudos, o número de visitantes mais que dobrou, segundo o Departamento de Conservação da Nova Zelândia. Como o lago fica em um parque nacional, restringir o acesso não é a estratégia adotada. Em vez disso, foram instaladas estações de limpeza e sinalizações ao longo das trilhas.

Além da biossegurança, há um apelo ao respeito cultural. Visitantes são orientados a não tocar na água, pois ela é considerada tapu, ou sagrada. Durante o verão, representantes do Departamento de Conservação e dos Ngāti Apa permanecem no local para orientar caminhantes e explicar que a preservação do lago depende do comportamento humano.

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Fagner Gregório

Fagner Gregório

Jornalista graduado pela SATC (Santa Catarina), atua na produção de conteúdo jornalístico para web. Tem experiência em redação de portais (4oito) e jornais, além de assessoria de comunicação.

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