No Parque Nacional de Nelson Lakes, na Ilha do Sul da Nova Zelândia, está Rotomairewhenua, conhecido como o lago mais limpo do mundo. O local apresenta coloração azul-violeta e água alimentada por nascentes glaciares do Lago Constance.
Descoberto pelos Ngāti Apa, um iwi Māori, Rotomairewhenua significa “o lago de terras pacíficas”. Para esse povo, o lago sempre teve valor espiritual, sendo utilizado em rituais de limpeza dos ossos dos mortos, acreditando-se que isso garantia uma passagem segura até Hawaiki, terra ancestral. Mesmo sem esses rituais hoje, o lago permanece sagrado e ligado à identidade cultural do grupo.

Pureza ameaçada pelo aumento do turismo
A projeção surgiu há cerca de uma década, quando cientistas identificaram visibilidade entre 70 e 80 metros, valor comparável ao da água pura. O título de “lago mais limpo do mundo” e a divulgação em redes sociais transformaram o local em destino turístico.
Com o aumento de visitantes, cresceram os riscos ambientais. A principal ameaça é a lindavia, uma alga microscópica invasora já presente em lagos próximos. Ela pode ser transportada em botas, equipamentos ou garrafas, bastando pequenas quantidades de água para a contaminação.
Desde a divulgação dos estudos, o número de visitantes mais que dobrou, segundo o Departamento de Conservação da Nova Zelândia. Como o lago fica em um parque nacional, restringir o acesso não é a estratégia adotada. Em vez disso, foram instaladas estações de limpeza e sinalizações ao longo das trilhas.
Além da biossegurança, há um apelo ao respeito cultural. Visitantes são orientados a não tocar na água, pois ela é considerada tapu, ou sagrada. Durante o verão, representantes do Departamento de Conservação e dos Ngāti Apa permanecem no local para orientar caminhantes e explicar que a preservação do lago depende do comportamento humano.





