Durante décadas, a Torre Montparnasse foi alvo de críticas em Paris. Agora, o arranha-céu passará por ampla reforma estimada em mais de R$ 3,6 bilhões. Com 210 metros de altura, o edifício destoou do perfil histórico da capital francesa desde 1973. Ainda hoje é o único arranha-céu isolado em meio ao conjunto de prédios baixos da região central.

Nova identidade para um ícone controverso
O redesenho da torre ficará a cargo do consórcio francês Nouvelle AOM. A proposta prevê fachada mais leve e transparente, com varandas verdes e jardim no topo. A base do complexo também será transformada.
O projeto do entorno comercial foi confiado ao arquiteto italiano Renzo Piano, conhecido por intervenções urbanas marcantes. A ideia é substituir a atual plataforma rígida por espaços abertos e áreas de convivência. Calçadões sinuosos e uma praça arborizada devem integrar melhor o prédio ao bairro.
Debate público e resistência local
A reforma reacendeu discussões sobre o futuro da torre. Parte dos moradores defende até a demolição completa, embora a alternativa seja considerada financeiramente inviável. O investimento ultrapassa US$ 700 milhões e enfrenta críticas de setores que veem excesso de áreas comerciais.
Há também questionamentos sobre impacto ambiental e ocupação do espaço público. Apesar da rejeição histórica, o prédio ganhou status cultural ao longo do tempo. Chegou a aparecer no filme La Tour Montparnasse Infernale e foi escalado diversas vezes por aventureiros urbanos. A torre também influenciou políticas urbanísticas da cidade, que restringiram novos arranha-céus no centro.
A maioria das construções altas foi deslocada para o distrito empresarial de La Défense. Com o esvaziamento gradual dos inquilinos, as obras devem começar em breve. A promessa é transformar um símbolo de rejeição em exemplo de sustentabilidade e integração urbana.





