Com um dos metros quadrados mais valorizados do país, Itapema enfrenta um paradoxo: enquanto o mercado imobiliário de alto padrão segue em expansão, moradores de renda média e baixa encontram cada vez mais dificuldades para comprar ou alugar um imóvel na cidade. Diante desse cenário, a prefeitura anunciou uma estratégia para estimular a construção de habitações populares por meio da doação de áreas públicas a construtoras interessadas.
A proposta prevê a cessão de quatro terrenos municipais para a implantação de condomínios residenciais. Em contrapartida, as empresas deverão comercializar as unidades com desconto equivalente ao valor das áreas recebidas. Os apartamentos serão financiados pelo programa federal Minha Casa Minha Vida, com preços estimados entre R$ 210 mil e R$ 350 mil.
Projeto pode gerar 1,1 mil novos apartamentos
Caso haja adesão do setor da construção civil, a expectativa é erguer aproximadamente 1,1 mil unidades habitacionais. O prazo para apresentação de propostas e documentação pelas construtoras vai até 8 de abril de 2026.
As áreas disponibilizadas estão distribuídas em diferentes bairros da cidade. No Casa Branca, dois terrenos — nas ruas 802 e 708 — poderão receber 400 e 320 apartamentos, respectivamente. No Sertão do Trombudo, a projeção é de 240 unidades na Rua 406H. Já no bairro Morretes, a estimativa é de 160 apartamentos em terreno localizado nas ruas 430/428.

Resposta ao avanço do mercado de luxo
A iniciativa surge em meio ao crescimento acelerado do segmento imobiliário de alto padrão, que tem impulsionado os preços e elevado o custo de vida no município litorâneo. O aumento nos valores de venda e locação impacta principalmente trabalhadores do comércio, da construção civil e do setor de serviços, que muitas vezes precisam buscar moradia em cidades vizinhas.









