O litoral de São Paulo vive um cenário que já preocupa especialistas e moradores da região sul do estado. Isso porque o avanço acelerado do mar pode provocar a formação de uma nova ilha nos próximos meses, enquanto comunidades tradicionais convivem com o risco de perder áreas inteiras.
A situação mais delicada acontece na região da Ilha do Cardoso, em Cananéia, justamente no trecho conhecido como Estreito do Melão. A faixa de terra que separa o oceano do Canal de Ararapira tinha cerca de 100 metros de largura em 2024, mas hoje restam aproximadamente 20 metros.
Caso a erosão avance ainda mais, parte da Ilha do Cardoso pode se separar do restante do território. Além disso, especialistas alertam para possíveis impactos no estuário conhecido como “mar de dentro”, incluindo assoreamento, prejuízos à biodiversidade e dificuldades para a navegação na região.
O problema já afeta moradores de comunidades como Restinga, Vila Mendonça e Nova Enseada. Segundo Tatiana Mendonça Cardoso, representante local, as ressacas passaram a ocorrer com muito mais frequência nos últimos anos, obrigando famílias a deixarem áreas consideradas vulneráveis.
A Fundação Florestal, responsável pelo Parque Estadual da Ilha do Cardoso, classificou o trecho como zona de risco. No entanto, uma portaria estadual também proibiu a atracação de embarcações e o desembarque de passageiros perto do estreito, além de recomendar redução na velocidade dos barcos.

Mudanças climáticas aumentam preocupação no litoral
O governo estadual reconhece que as mudanças climáticas contribuíram para acelerar o processo erosivo, com elevação do nível do mar e alterações nas correntes e ventos. Enquanto isso, equipes realizam monitoramento com drones, universidades e mapeamentos do canal para avaliar possíveis medidas emergenciais.
O Ministério Público de São Paulo abriu um inquérito civil sobre o caso e cobra um plano de emergência elaborado junto às comunidades locais. Andrew Toshio Hayama, defensor público que acompanha a situação desde 2015, relembrou que um rompimento semelhante em 2018 já havia provocado a realocação de moradores da Enseada da Baleia e da Vila Rápida.





