A ideia de que a realidade pode ser uma simulação voltou ao debate após comentários de Sérgio Sacani. Ele retomou uma teoria popularizada pelo filme Matrix, mas que nasceu no campo da filosofia. Segundo Sacani, a hipótese surgiu em 2003, com o filósofo Nick Bostrom, da Universidade de Oxford.
Bostrom propôs o chamado “trilema da simulação”, que apresenta três possibilidades. A primeira diz que a humanidade pode ser extinta antes de alcançar tecnologia suficiente para criar simulações realistas. Nesse caso, nunca chegaríamos a esse nível de avanço.
A segunda possibilidade afirma que, mesmo com tecnologia avançada, os humanos talvez não tenham interesse em simular seus ancestrais. Já a terceira sugere que, se muitas simulações forem criadas, seria estatisticamente provável que já estivéssemos vivendo dentro de uma delas.
O que a física diz sobre essa possibilidade
Com o tempo, a teoria ganhou força fora da filosofia e passou a chamar atenção da ciência. Em 2020, pesquisadores calcularam que a chance de vivermos em uma simulação poderia variar entre 33% e 50%. Esses números ajudaram a manter o tema em evidência.
Segundo Sergio Sacani, mais recentemente, o professor Franco Vazza decidiu analisar a questão por outro ângulo. Em vez de discutir apenas ideias abstratas, ele se perguntou se uma simulação dessas seria fisicamente possível. Para isso, partiu do princípio de que toda informação exige energia, tempo e recursos reais.
No estudo, Vazza avaliou três cenários: simular todo o universo visível, apenas a Terra ou uma versão simplificada do planeta. Em todos os casos, os cálculos mostraram que a energia e o poder computacional necessários seriam gigantescos, muito além do que as leis da física permitem.
A conclusão é clara: com a física que conhecemos hoje, simular o universo ou mesmo a Terra seria praticamente impossível. Isso não elimina o debate filosófico, mas indica que, do ponto de vista científico, a hipótese não se sustenta. Assim, segundo Sacani, fisicamente falando, não vivemos em uma simulação.





