O Irã atravessa uma seca extrema que já coloca em risco o abastecimento de água em grande parte do país. A estação chuvosa deveria ter começado há mais de 50 dias, mas mais de 20 províncias não registraram nenhuma precipitação.
Em Teerã, o cenário é ainda mais crítico: apenas 1 mm de chuva em todo o ano, índice considerado raro até para padrões históricos. A falta de água nas represas levantou um debate urgente sobre a capacidade do país de sustentar cidades densamente povoadas caso a estiagem continue.
A situação dos reservatórios indica um colapso cada vez mais próximo. O número de represas com menos de 5% da capacidade subiu de oito para 32 em pouco tempo, revelando a velocidade da queda dos níveis de água.
A cobertura de neve, importante para o abastecimento ao longo do ano, caiu quase 99% em relação ao período anterior. Para tentar amenizar a crise, autoridades recorreram à semeadura de nuvens, enquanto regiões inteiras realizam orações públicas na expectativa de mudança no clima.

Crise hídrica e debate sobre evacuação
A seca desencadeou discussões políticas e religiosas, com autoridades relacionando o fenômeno a questões sociais e culturais. Paralelamente, parte da população passou a buscar explicações em teorias de manipulação climática, refletindo a perplexidade diante da ausência prolongada de chuvas.
O ponto mais sensível surgiu quando o presidente Masoud Pezeshkian mencionou a possibilidade de evacuar Teerã caso não haja chuva até meados de dezembro. A ideia foi criticada por outras autoridades, mas não descartada completamente por pesquisadores.
Para eles, regiões dependentes de represas podem, sim, enfrentar a necessidade de retirar parte da população se o abastecimento colapsar. Teerã já enfrenta racionamento parcial e redução da pressão da água, medidas que, segundo autoridades, precisariam ser ampliadas para evitar um cenário mais grave.





