A falta de trabalhadores em países desenvolvidos tem provocado uma mudança brusca nas políticas migratórias da Europa. Após anos adotando medidas de restrição incentivadas por movimentos de extrema-direita, Itália, Alemanha e Espanha agora passam a disputar profissionais estrangeiros — e os brasileiros estão entre os mais cobiçados.
Itália recua e abre portas para descendentes brasileiros
Durante boa parte de 2025, o governo de Giorgia Meloni avançou em projetos para limitar o acesso à cidadania e conter a imigração. Porém, diante do enfraquecimento econômico e da falta de mão de obra, sobretudo na saúde, o país reviu sua estratégia.
A Itália reabriu a entrada para descendentes de italianos em sete países, incluindo o Brasil, e enfrenta déficit de mais de 65 mil profissionais em hospitais públicos e privados. Os salários chegam a 7 mil euros, com oferta de moradia, passagem aérea e cursos de idioma.
A urgência levou o governo a publicar o Decreto Milleproroghe, que facilita temporariamente o reconhecimento de diplomas estrangeiros. Com isso, profissionais podem começar a trabalhar enquanto aguardam validação oficial.
Alemanha investe em vistos e reconhecimento de diplomas
A Alemanha também intensificou a busca por profissionais estrangeiros em setores estratégicos como TI, engenharia, logística e saúde. O país criou o Chancenkarte, um visto especial que permite ao candidato permanecer por até um ano procurando emprego.
Além disso, Berlim firmou acordos com o Brasil para acelerar o reconhecimento de diplomas e permitir que trabalhadores levem a família, com direito ao cônjuge exercer atividade remunerada — um diferencial em relação a Portugal, que endureceu regras de reagrupamento familiar.
Espanha flexibiliza regras e amplia regularização
Governada por Pedro Sánchez, a Espanha adotou políticas mais abertas: ampliou a regularização de imigrantes que já vivem no país e facilitou a entrada de novos trabalhadores. Os salários, em muitos setores, superam os oferecidos em Portugal, colocando o país em posição vantajosa na disputa por mão de obra qualificada.

Brasileiros têm vantagem e tendência é de abertura maior em 2026
Especialistas em imigração afirmam que brasileiros se destacam pela adaptação cultural, pela formação e pelo histórico de comunidades italianas e alemãs no país. Apesar disso, alertam que muitas medidas ainda dependem de regulamentação.
A expectativa, porém, é que 2026 traga avanços concretos, já que a Europa enfrenta envelhecimento populacional e risco de queda de produtividade — um cenário que torna a imigração uma necessidade estratégica, e não apenas uma decisão política.





