O Brasil está próximo de concretizar um acordo bilionário com o Japão, que permitirá a exportação de carne bovina para o país asiático. Após cerca de 20 anos de espera, esse comércio começou a se tornar viável após a Organização Mundial de Saúde Animal declarar o gado brasileiro livre da febre aftosa sem a necessidade de vacinação.
Recentemente, autoridades sanitárias do Japão iniciaram uma série de vistorias em frigoríficos brasileiros. O foco dessas inspeções são as unidades localizadas nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.
A comissão japonesa está avaliando não apenas as condições dos frigoríficos, mas também todo o sistema produtivo pecuário, que inclui a rastreabilidade dos animais, a localização dos estabelecimentos e a capacidade de resposta a emergências relacionadas à febre aftosa.
Limitações na Inclusão de Estados
O Ministério da Agricultura do Brasil tentou incluir outros estados, como Acre e Rondônia, na lista de unidades a serem avaliadas. No entanto, essa proposta não foi aceita pelos representantes japoneses, que decidiram focar apenas nas regiões mencionadas.
Uma vez aprovado o sistema produtivo brasileiro, as tarifas de exportação serão discutidas. Atualmente, as tarifas aplicadas pelo Japão são significativamente mais altas do que as cobradas pela China e pelos Estados Unidos, atingindo 38,5%.
O Brasil busca negociar uma redução dessas tarifas para tornar sua carne bovina mais competitiva no mercado japonês. O Japão importa anualmente cerca de 700 mil toneladas de carne bovina, com os Estados Unidos sendo os principais fornecedores.
O Brasil, que atualmente vende carne a um preço de 5.500 dólares por tonelada, espera aproveitar essa oportunidade para aumentar sua participação no mercado. O preço pago pelo Japão pode chegar a 6.800 dólares por tonelada, o que representa uma significativa oportunidade financeira para os produtores brasileiros.





