Uma movimentação recente no cenário internacional tem chamado atenção de autoridades e do mercado agrícola, justamente em um momento de incertezas globais. No entanto, mudanças estratégicas começam a surgir para reduzir riscos e até mesmo ampliar possibilidades comerciais no fornecimento de insumos essenciais.
O Brasil aparece diretamente envolvido nesse novo cenário ao negociar fertilizantes com a Indonésia, um país ainda pouco explorado nesse tipo de relação comercial. Atualmente, a dependência do país em relação à Rússia é significativa, já que os russos controlam até 40% do comércio global de nitrato de amônio e foram responsáveis por 25,9% dos adubos químicos importados em 2025.
As negociações com a Indonésia envolvem fertilizantes à base de ureia, com potencial de envio de até 1 milhão de toneladas por ano ao mercado internacional. Segundo o ministro da Agricultura, Andi Amran Sulaiman, diversos países já formalizaram pedidos, enquanto o volume pretendido pelo Brasil ainda está em definição.
Alternativa ganha força no mercado global
A demanda global por fertilizantes segue elevada, o que abre espaço para novos fornecedores ganharem protagonismo, justamente como ocorre com a Indonésia. O país asiático possui capacidade anual de produção de cerca de 7,8 milhões de toneladas de ureia, com consumo interno de aproximadamente 6 milhões.
A Índia já solicitou 500 mil toneladas, enquanto o Brasil ainda negocia sua participação, em um cenário que também inclui a Tailândia como potencial compradora. No entanto, Sulaiman reforça que a prioridade segue sendo a segurança alimentar nacional e os interesses dos agricultores locais.
Dados recentes mostram que o setor agrícola indonésio está em expansão, com exportações que cresceram 167 trilhões de rupias, cerca de R$ 46 bilhões. Ao mesmo tempo, as importações caíram 41 trilhões de rupias, ampliando o superávit comercial.

Petrobras volta a vender fertilizantes
Enquanto busca alternativas externas, o Brasil também tenta fortalecer sua produção interna por meio da Petrobras. A estatal retomou a produção de fertilizantes nitrogenados em unidades do Nordeste, reduzindo riscos de oferta em meio a tensões no Oriente Médio.
As fábricas na Bahia e em Sergipe já operam com cerca de 90% da capacidade, atendendo estados como Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais e São Paulo. A produção é distribuída a granel e em “big bags”, enquanto a amônia atende principalmente ao polo de Camaçari.
A retomada ocorreu após as unidades ficarem paradas desde 2023, quando estavam sob gestão da Unigel e enfrentaram dificuldades financeiras. A decisão foi impulsionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Produção nacional ainda enfrenta desafios
Mesmo com o avanço da produção interna, especialistas alertam que o Brasil continuará dependente das importações, justamente por sua grande demanda agrícola. O analista da StoneX, Tomás Pernias, afirma que o aumento da produção ajuda a amortecer choques externos.
Já Jeferson Souza destaca que o cenário atual é mais desafiador, com o poder de compra do produtor fragilizado. O Brasil importou cerca de 7,7 milhões de toneladas de ureia no último ano, com destaque para fornecedores do Oriente Médio.
Com novos projetos em andamento, a Petrobras planeja ampliar sua participação e chegar a até 35% da demanda nacional nos próximos anos. No entanto, até que isso aconteça, o país seguirá buscando alternativas como a Indonésia para garantir o abastecimento.





