O novo mapa-múndi divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) provocou repercussão internacional ao apresentar duas mudanças significativas: o Brasil aparece no centro da representação geográfica e as Ilhas Malvinas são assinaladas como território argentino, contrariando a nomenclatura usada pelo Reino Unido, que administra o arquipélago desde o século 19.
A atualização acompanha a posição diplomática brasileira, reafirmada pelo Itamaraty no início do ano, segundo a qual os direitos da Argentina sobre as Malvinas são considerados “legítimos”. O governo brasileiro voltou a defender a retomada das negociações bilaterais entre Buenos Aires e Londres, alinhando-se à posição histórica adotada desde 1833, quando o Brasil apoiou formalmente o protesto argentino contra a ocupação britânica. A reivindicação também é tema recorrente na ONU, onde é tratada como questão de descolonização.

O que representa essa mudança?
Ao mesmo tempo, a mudança ocorre em um contexto de novas tensões na América do Sul. O presidente argentino, Javier Milei, reiterou recentemente a “reivindicação inabalável” da soberania sobre o arquipélago. Apesar dos apelos argentinos, o Reino Unido afirma que a questão foi encerrada após a Guerra das Malvinas, em 1982, que deixou mais de 900 mortos entre soldados britânicos e argentinos.
Nos últimos anos, o tema gerou controvérsia dentro do próprio Brasil. Durante o governo Jair Bolsonaro, a autorização para pousos de aviões militares britânicos em rotas para as Malvinas irritou autoridades argentinas. Em outro episódio, o deputado Eduardo Bolsonaro se referiu ao território como “Falklands”, nome britânico, causando repercussão negativa na imprensa de Buenos Aires.
A escolha do IBGE por reposicionar o mapa também chamou atenção. Especialistas afirmam que colocar o Brasil no centro da representação global rompe com a tradição eurocêntrica e reforça simbolicamente o papel geopolítico do país. Para o professor Paulo Marcio Leal de Menezes, da UFRJ, a alteração é positiva e questiona “convenções herdadas”, como o uso do meridiano de Greenwich como referência mundial.





