A cidade de São Paulo é hoje o motor econômico do Brasil, com um PIB de R$ 828,9 bilhões, segundo dados do IBGE de 2021. Sendo assim disparada a cidade mais rica do país, seguida pelo Rio de Janeiro com R$ 359,6 bilhões de PIB.
Mas, muito antes de alcançar essa posição de destaque, a capital paulista viveu uma história inusitada e que entrou para o folclore político nacional.
Em 1959, os eleitores paulistanos decidiram protestar contra a política de um jeito criativo: “elegeram” um rinoceronte para a Câmara dos Vereadores. O animal, chamado Cacareco, era uma fêmea e recebeu quase 100 mil votos — um feito impressionante dentro de um universo de pouco mais de 1,1 milhão de eleitores.
O voto em Cacareco não foi apenas uma piada, mas um gesto de protesto. A população usou o nome do rinoceronte nas cédulas de papel como forma de demonstrar insatisfação com os candidatos e com a política da época.
A estrela do zoológico paulista
Cacareco nasceu em 1954, no zoológico do Rio de Janeiro, e foi emprestada para São Paulo em 1958, durante a inauguração do Zoológico paulistano. Desde o primeiro dia, ela encantou o público e virou a grande atração do novo espaço.
Cerca de 200 pessoas participaram da inauguração do Zoo, e praticamente todas quiseram ver de perto a famosa rinoceronte. Sua popularidade foi tamanha que Cacareco se tornou um verdadeiro símbolo da cidade.
Até mesmo o então político Jânio Quadros entrou na brincadeira. Ele comentou que “com o cartaz que está, Cacareco seria um forte candidato aos Campos Elíseos”, fazendo referência à sede do governo estadual.
O episódio ficou marcado como um dos maiores protestos eleitorais do Brasil. O “voto em Cacareco” mostrou que, mesmo em meio à insatisfação, o humor e a criatividade podem ser uma poderosa forma de crítica política.




