Existe um debate importante na comunidade científica, que envolve a possibilidade de os homens desaparecerem da Terra em breve. Essa questão está ligada à degradação histórica sofrida pelo cromossomo Y, que, junto com o X, normalmente faz parte da composição do DNA masculino.
Responsável por estudar esse processo há décadas, a bióloga evolutiva australiana Jenny Graves estimulou em um artigo publicado no The Conversation, em 2014, que se a perda de genes continuasse no ritmo observado, o cromossomo Y poderia desaparecer em cerca de 4,5 milhões de anos.
Desde há 166 milhões de anos, quase dez genes se perderam a cada um milhão de anos. De acordo com Graves, há duas razões principais para isso, sendo que a primeira está ligada ao contexto biológico: o cromossomo Y é transmitido exclusivamente pela linhagem masculina e, a cada geração, passa pelos testículos, que constituem um ambiente geneticamente exigente.

Para que a produção de esperma seja realizada, é preciso numerosas divisões celulares e cada uma delas implica uma nova oportunidade para que mutações se acumulem. Já a segunda razão, e, talvez, a mais determinante, é o isolamento: o Y não dispõe de um homólogo com o qual possa trocar segmentos de DNA para corrigir erros.
Na maioria dos casos, os cromossomos “se apoiam” em seu par durante a recombinação para compensar danos. Como o Y carece desse respaldo estrutural, as alterações acumuladas se tornam muito mais difíceis de eliminar.
Cientistas divergem sobre o assunto
Embora deva ser considerada, a visão de Graves não é a única sobre o tema. Aliás, muito pelo contrário. Outros cientistas que estudam o assunto divergem dessa ideia.
A bióloga evolutiva Jenn Hughes, do Instituto Whitehead do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), por exemplo, sustenta que os genes essenciais do cromossomo Y humano têm se mantido estáveis por 25 milhões de anos, com base em pesquisas feitas em primatas.









