Os Correios, fundados em 1663, enfrentam um dos momentos mais críticos de sua história após acumularem prejuízo de R$ 4,3 bilhões em 2025 e registrarem déficits mensais que chegam a R$ 750 milhões.
A estatal agora corre contra o tempo para levantar ao menos R$ 10 bilhões via empréstimo com garantia da União, considerado indispensável para pagar dívidas, regularizar contratos e evitar o agravamento do cenário financeiro.
O valor é metade dos R$ 20 bilhões inicialmente planejados, mas a empresa reduziu a meta após instituições financeiras cobrarem taxas consideradas altas. Na primeira rodada, bancos ofereceram custo de até 136% do CDI, o que tornaria o empréstimo inviável devido aos juros anuais próximos a R$ 3 bilhões.
Para conseguir condições mais adequadas, os Correios reiniciaram negociações com um grupo maior de bancos e apresentaram ao Tribunal de Contas da União o plano preliminar de reestruturação.

Redução de custos e impacto no quadro de funcionários
O plano de reestruturação dos Correios prioriza a redução de despesas com pessoal. A estatal pretende lançar um novo Programa de Demissão Voluntária com meta de 10 mil adesões, número bem acima dos 3,6 mil alcançados no último PDV.
A expectativa é cortar cerca de R$ 2 bilhões por ano da folha salarial para aliviar o orçamento. A crise também comprometeu a operação: atrasos no pagamento de fornecedores reduziram a pontualidade das entregas, que precisam superar 95% para manter contratos importantes, especialmente do e-commerce.
Além disso, o descumprimento de cláusulas de empréstimos anteriores elevou os custos financeiros e criou risco de retenção de recursos. Com dívidas judiciais acima de R$ 2 bilhões, o empréstimo emergencial é visto como essencial para evitar um colapso maior.





