O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, defendeu que o Brasil precisa repensar o modelo de jornada de trabalho. Durante um seminário sobre o tema, ele destacou que é hora de criar um sistema mais saudável, equilibrado e previsível para quem trabalha. A proposta busca dar mais qualidade de vida aos brasileiros.
Segundo Marinho, a jornada 6×1 — seis dias de trabalho e apenas um de descanso — não combina mais com a realidade atual. Ele o classificou como um formato “perverso”, principalmente para as mulheres, que ainda acumulam outras responsabilidades fora do emprego.
Jornada 6×1 criticada
O ministro ressaltou que é essencial devolver às pessoas o direito a dois dias consecutivos de folga. Essa mudança, segundo ele, pode contribuir para mais descanso, tempo em família e até maior produtividade. O tema começa a ganhar força nas discussões trabalhistas do país.

A experiência da Dinamarca: menos horas, mais qualidade de vida
Enquanto o Brasil ainda discute o assunto, a Dinamarca já é referência quando se fala em equilíbrio entre trabalho e vida pessoal. Por lá, a média semanal é de 33 horas de trabalho, uma das menores do mundo, de acordo com dados da OCDE. Isso permite que os dinamarqueses tenham tempo de sobra para lazer e descanso.
Mesmo sem uma lei que determine um limite fixo, os acordos coletivos geralmente preveem jornadas de até 37 horas por semana, de segunda a sexta-feira. O expediente costuma começar entre 8h e 9h da manhã e terminar por volta das 16h ou 17h, com pausas para almoço que variam entre 30 minutos e uma hora.
Alguns municípios e empresas dinamarqueses já testam uma semana de quatro dias. Em Odsherred, por exemplo, os funcionários trabalham 35 horas entre segunda e quinta, e têm a sexta-feira livre. Os resultados têm sido positivos, com mais foco, motivação e bem-estar entre os trabalhadores.
Esse modelo ainda não é adotado em todo o país, mas mostra um caminho possível. A experiência dinamarquesa reforça a ideia de que menos horas de trabalho podem significar mais qualidade de vida — algo que o Brasil começa, aos poucos, a enxergar como necessário.





