Os Estados Unidos decidiram fortalecer sua própria estrutura militar e reorganizar a forma como utilizam parte de seus recursos estratégicos. Na prática, a medida pode deixar os países europeus em uma posição mais delicada dentro da Otan, já que diversas capacidades hoje compartilhadas pela aliança deixarão de estar disponíveis.
Segundo informações entregues por representantes do governo de Donald Trump a integrantes da Otan em Bruxelas, Washington pretende retirar uma série de meios militares atualmente colocados à disposição da organização. O objetivo é concentrar esses recursos sob controle americano para atender prioridades definidas pelos próprios Estados Unidos.
A mudança afeta diretamente o modelo de forças da Otan, mecanismo que estabelece quais tropas e equipamentos cada país pode disponibilizar em caso de crise. Com a nova estratégia, os americanos pretendem reduzir significativamente sua participação nesse sistema.
Entre as capacidades que devem ser retiradas estão aeronaves-tanque, incluindo modelos mais modernos, além de parte da frota de caças. O plano também prevê uma forte redução no número de drones oferecidos à aliança, justamente em uma área considerada sensível para diversos países europeus.
Outro ponto que chamou atenção envolve as forças navais. De acordo com a reportagem, os Estados Unidos pretendem deixar de disponibilizar um grande número de esquadrões de cruzadores e destróieres para a Otan, reduzindo a presença desses meios dentro da estrutura militar da organização.

Europeus terão de assumir mais responsabilidades
Na Alemanha, a divulgação do documento provocou reações cautelosas. O porta-voz do Ministério da Defesa, coronel Mitko Müller, lembrou que os planos de defesa da Otan são confidenciais, mas ressaltou que a expectativa de uma redução do compromisso americano já era discutida há anos entre os aliados.
Para Christoph Schmid, especialista em defesa do SPD no Bundestag, a principal questão será o tempo dado para que os europeus preencham as lacunas deixadas pelos Estados Unidos. O tema deve dominar a cúpula da Otan na Turquia, em julho, onde Donald Trump estará presente. Já o secretário de Estado Marco Rubio afirmou que a aliança precisa de mudanças profundas, reforçando a expectativa de uma atuação mais voltada aos interesses estratégicos americanos.





