O avanço das impressoras 3D trouxe inúmeras possibilidades para a indústria, educação e até para a medicina. No entanto, a mesma tecnologia que permite criar objetos úteis também levantou dúvidas sobre segurança, especialmente quando se fala na fabricação de armas de fogo em casa.
Nos últimos anos, impressoras 3D passaram a ser usadas para produzir brinquedos, peças industriais e até próteses médicas. No entanto, justamente essa versatilidade também abriu espaço para usos controversos. Um dos exemplos mais discutidos é a criação de armas de fogo feitas com peças impressas em plástico.
Um dos casos mais conhecidos envolve a pistola chamada Liberator, desenvolvida nos Estados Unidos. O projeto ganhou repercussão mundial após os arquivos digitais serem disponibilizados na internet e baixados mais de 800 mil vezes em apenas dois dias.
A grande preocupação das autoridades é que esse tipo de armamento pode ser produzido com materiais plásticos. Justamente por isso, muitas dessas armas podem passar despercebidas por detectores de metal, o que aumenta o risco de uso ilegal ou em crimes.
No Brasil, no entanto, fabricar uma arma de fogo em impressora 3D é considerado crime. Isso acontece porque o Estatuto do Desarmamento proíbe a produção de armas sem autorização, independentemente da tecnologia utilizada para a fabricação.
Segundo o advogado Leandro Bissoli, quem decide produzir esse tipo de arma pode responder criminalmente. A punição pode chegar a quatro a oito anos de reclusão, além de multa, justamente por violar a legislação que controla a fabricação de armamentos no país.

Pena a ser cumprida
Além de tudo o que foi citado, a pessoa também pode ser enquadrada por posse ou porte ilegal de arma de fogo. Nesses casos, as penas podem variar de dois a quatro anos de prisão, também acompanhadas de multa prevista em lei.
Mesmo com as restrições legais, os arquivos para impressão dessas armas continuam circulando na internet. Até mesmo após tentativas de remoção, alguns deles ainda podem ser encontrados em sites de compartilhamento de arquivos, o que mantém o debate sobre segurança e tecnologia em aberto.





