O Brasil não é uma rota de furacões. Apesar disso, o país já foi atingido por fenômeno desse tipo há 22 anos. O evento devastou parte da Região Sul, deixando mortos, milhares de desabrigados e vários municípios em situação de emergência.
Entre os dias 27 e 28 de março de 2004, o furacão Catarina passou pelo sul de Santa Catarina e pelo litoral Norte do Rio Grande do Sul. Registros da época apontam que onze pessoas morreram e 14 cidades precisaram decretar situação de emergência.
O Catarina teve início como um ciclone extratropical, a aproximadamente 1.000 km da costa brasileira, e gradualmente adquiriu características de um furacão. Os ventos provocados por sua passagem atingiram 180 km/h. De acordo o Centro de Estudos e Pesquisas em Engenharia e Defesa Civil da Universidade Federal de Santa Catarina (Ceped/UFSC), 250 mil pessoas foram afetadas e 26.443 ficaram desabrigadas ou desalojadas.

Ao todo, 38 municípios catarinenses e gaúchos foram afetados pelo fenômeno. Passos de Torres, Balneário Gaivota e Balneário Arroio do Silva, todos em Santa Catarina, foram os que mais sentiram os impactos do evento. Estima-se que os prejuízos financeiros ficaram na casa dos R$ 211,4 milhões.
Furacão pegou cientistas de surpresa
O Catarina é o único furacão registrado até hoje não só no Brasil, mas no Atlântico Sul de uma forma geral. Por conta de seu caráter raro, a comunidade científica tratou sua aparição como um evento totalmente fora do comum.
“Até então, a comunidade meteorológica acreditava que furacões não ocorriam no Oceano Atlântico Sul devido a vários fatores, dentre os quais a baixa temperatura da superfície do mar e aos ventos desfavoráveis nos níveis mais altos da troposfera”, disse o pesquisador Clóvis Roberto Levien Corrêa, mestre em meteorologia pela Universidade Federal de Pelotas, na época.





