O cenário na Argentina está longe de ser dos melhores. Nesta quarta-feira (18), a Fate, maior fabricante de pneus do país vizinho, anunciou o fechamento definitivo de sua fábrica em Buenos Aires, deixando centenas de trabalhadores desempregados.
Fundada há mais de oito décadas, a Fate tinha capacidade de produzir cerca de 5 milhões de pneus por ano. De acordo com a companhia, a medida drástica se deve à queda de competitividade em um contexto de aumento das importações no território argentino.

Segundo a projeção da consultoria privada PxQ, as importações de pneus aumentaram 34% entre 2023 e 2025, enquanto os preços do mercado interno caíram 42% durante o período. Quanto aos funcionários, 900 pessoas que trabalhavam na unidade perderam seus empregos.
A Fate comunicou que pagará indenizações rescisórias previstas em lei. Os sindicatos, no entanto, pedem a intervenção do governo para impedir o fechamento da fábrica, que representa o enfraquecimento da economia nacional frente ao mercado estrangeiro.
Protestos contra o governo de Javier Milei na Argentina
O fechamento da fábrica da Fate ocorre em meio a intensificação dos protestos trabalhistas contra a reforma trabalhista promovida pelo presidente Javier Milei. Aprovada pelo Senado, a proposta aguarda apenas a ratificação da Câmara dos Deputados para ser validada.
Pneus foram queimados do lado de fora da fábrica, que fica localizada na periferia da capital argentina. Um grupo de trabalhadores esteve presente nos portões do estabelecimento, onde a empresa anunciou o fechamento com uma placa.
Nos últimos dois anos, mais de 21 mil empresas fecharam as portas na Argentina e cerca de 300 mil pessoas perderam seus empregos no período.





