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Mais 10 anos e leões podem desaparecer quase totalmente do planeta se nada muda

Por Henrique Cesaretti
25/04/2026
Créditos: Freepik

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Um alerta silencioso vem sendo reforçado ao longo dos anos, justamente enquanto outros temas acabam dominando o debate global e desviando a atenção de um problema crescente. No entanto, mesmo sem ocupar manchetes frequentes, a ameaça segue avançando de forma consistente e preocupante em diferentes regiões.

Agora, quando o assunto finalmente ganha destaque, os dados revelam um cenário que pode se agravar ainda mais nos próximos anos, até mesmo com previsões antigas começando a se confirmar. Trata-se da situação dos leões na África, cuja população vem diminuindo de forma contínua segundo estudos científicos.

Queda acelerada e dados preocupantes

Um levantamento publicado pela revista Proceedings of the National Academy of Sciences apontou que, dos cerca de 20 mil leões ainda existentes no continente africano, quase metade pode desaparecer ao longo de duas décadas. No entanto, esse estudo foi conduzido ao longo de 20 anos, analisando 47 populações diferentes.

Os dados mostram que a redução ocorre praticamente em todas as regiões, com exceção de alguns países do sul da África, como Botsuana, Namíbia, África do Sul e Zimbábue. Justamente nesses locais, há maior investimento em proteção e conservação.

Segundo o pesquisador Philipp Henschel, da ONG Panthera, o número de leões já foi cerca de dez vezes maior no passado, chegando a aproximadamente 200 mil indivíduos. No entanto, hoje a espécie já não ocupa cerca de 25% de sua área histórica.

Créditos: Freepik

Regiões mais críticas e risco real

A situação se torna ainda mais grave na África Ocidental e Central, onde o declínio é mais acentuado e constante. Segundo os pesquisadores, com base na evolução das populações desde 1990, metade dos leões dessas regiões pode desaparecer em 20 anos.

Atualmente, restam apenas duas grandes populações nessas áreas, sendo uma com cerca de 350 animais no complexo W-Arly-Pendjari, localizado entre Benin, Burkina Fasso e Níger. A outra possui aproximadamente 250 indivíduos no complexo da Bénoué, em Camarões.

Na África Ocidental, o leão já é considerado “em perigo de extinção” pela União Internacional para Conservação da Natureza. No entanto, especialistas tentam ampliar essa classificação também para regiões central e oriental, onde a espécie ainda é listada apenas como “vulnerável”.

Créditos: Freepik

Pressão humana e futuro incerto

O principal fator por trás dessa queda é a expansão das atividades humanas, que acabam reduzindo o espaço natural dos animais. Áreas que antes eram territórios de caça dos leões estão sendo transformadas em lavouras ou pastagens, o que compromete diretamente sua sobrevivência.

Além disso, os animais que fazem parte da dieta dos leões também são caçados, diminuindo ainda mais as chances de sustento da espécie. Em alguns casos, até mesmo os próprios leões são mortos por fazendeiros que tentam proteger seus rebanhos.

Outro problema, ainda que em menor escala, envolve a caça para obtenção de pele e ossos, usados em certos medicamentos asiáticos como substitutos dos ossos de tigre. No entanto, a combinação de todos esses fatores acelera o processo de desaparecimento.

Mesmo com exemplos positivos como o parque Kruger, na África do Sul, que recebe investimentos públicos e reinveste na proteção da fauna, a realidade geral ainda é preocupante. Segundo os pesquisadores, seriam necessários cerca de 2 mil dólares por km² ao ano para garantir uma proteção eficaz.

No entanto, a maioria das áreas protegidas recebe até 100 vezes menos recursos, o que compromete qualquer estratégia de preservação a longo prazo. E justamente por isso, estudos mais recentes apontam que a situação não melhorou de forma significativa.

Uma pesquisa de 2023 mostra que os leões já desapareceram de 26 dos 48 países africanos onde existiam originalmente. Diante desse cenário, cresce a percepção de que, se nada mudar, previsões feitas anos atrás podem se concretizar em menos tempo do que o esperado, até mesmo dentro da próxima década.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Henrique Cesaretti

Henrique Cesaretti

Jornalista formado pela Universidade São Judas Tadeu (SP). Tem passagem pela Rede Minas de Televisão, além de sites esportivos como VerdãoWeb e SPFC.NET. Já atuou como correspondente para diferentes sites, com a redação de notícias.

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